quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Cora ção é terra que ninguém vê






Quis ser um dia,

jardineira de um coração. 
Sachei, mondei - nada colhi. 
Nasceram espinhos 
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, 

jardineira de um coração. 
Cavei, plantei. 
Na terra ingrata 
nada criei.

Semeador da Parábola... 

Lancei a boa semente 
a gestos largos... 
Aves do céu levaram. 
Espinhos do chão cobriram. 
O resto se perdeu 
na terra dura 
da ingratidão.

Coração é terra que ninguém vê 

- diz o ditado. 
Plantei, reguei, nada deu, não. 
Terra de lagedo, de pedregulho, 
- teu coração. Bati na porta de um coração. 
Bati. Bati. Nada escutei. 
Casa vazia. Porta fechada, 
foi que encontrei...


Cora Coralina
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