segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

As sem-razões do amor






Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade
foto:Olgun Yürekler

7 comentários:

Cristiano Melo disse...

Cris,

Talvez eu seja um dos poucos que não goste de CDA, até conheço alguns de seus familiares e já entrei em uma das casas que ele morou em BH. Mas, este em especial, é um dos que gosto.
E acho oportuno falar sobre amor no inicio de mais um ciclo em nossas vidas, o começo de um novo ano.

Mil beijos com e sem amor, porque amar também é não amar!

Cris

Cris Caetano disse...

Nossa, tô de cara... nunca conheci ninguém que não gostasse de Drummond. Mas já dizia Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra"... então, bem haja!

E amar também é não amar! ;)

Beijos

Cris Caetano disse...

*ninguém=alguém... é 2a feira e mereço ser perdoada... haha

Luis Eme disse...

amor é um bocado isso, sim.

e fica bonito escrito pelo Drummond.

beijos Cris

Maria disse...

Drummond é único a escrever o amor assim.
Beijo de bom dia para ti, Cris!

Cris Caetano disse...

Se é!

Beijos, Luis

Cris Caetano disse...

E o amor pode ser escrito de tantas formas mas não perde a essência do que é, não é mesmo? ;)

Beijinhos de boa noite (agora), Maria

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