sexta-feira, 3 de julho de 2009



há muito tempo,... imaginei a tua vinda...
... quando me chamaste pela primeira vez,... e me disseste: prepara o caminho para o meu rosto. abre-te de par em par, como se fosses uma enorme folha de uma planta carnívora, distende-te todo como um animal dócil e devorador,...
assustas-me por me quereres assim,... interrompes um pacto antigo que fiz com esta vida cómoda: a de poder sobreviver em troca de um pouco de ternura, das refeições às horas,... na certeza de estar construindo a obra que esperam de mim. tu vens de súbito tratar-me como...
...dizer-me que tudo começa agora, que deixaste crescer os cabelos para mim,...
como pudeste saber que era eu a pessoa certa? e sê-lo-ei?... como pudeste adivinhar que atravessei desertos,...? não receias a minha voracidade, este apetite...?
eu sei,... estou aqui porque tu me insinuaste que querias possuir o meu olhar, com uma determinação clandestina...


Vitor Oliveira Jorge
desconstruído por O'Sanji e por Euzinha
foto: Gerdana Lozanova

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