quinta-feira, 12 de março de 2009

O que eu gosto não tem a ver com o que eu sou ou tem?

Me lembrei do tempo em que ficava muito aflita sempre que me perguntavam o que gostava de ouvir ou o que estava ouvindo, e dependendo do que eu respondia e para quem obviamente, eu costumava às vezes ser rotulada como apreciadora num determinado estilo musical, que nem sempre era do agrado de quem me fazia a pergunta, e logo eu via um nariz se torcer pra mim.

Sempre me recordo dos papos que batia com um colega angolano que curtia muito Bach, Mahler e uns outros no atelier em que eu trabalhava porque ele entendia do assunto mil vezes mais do que eu e eu adorava absorver aquele conhecimento mesmo que fosse por uns míseros instantes numa conversa de descanso de trabalho, porque só sei ouvir e apreciar, nunca fui uma especialista em nenhum estilo musical.

Houve uma situação engraçadíssima numa noite em que fui pra Ribeira e caí num bar que eu gostava muito - onde fui depois de sair do ¨Aniki-Bobó¨ - no ¨O Meu Mercedes É Maior Que O Teu¨ e encontrei lá um colega do mesmo atelier que era desenhista e esse dia foi traumático. Quando me viu, olhou pra mim com a cara de quem viu um fantasma gordo, pink e piscando e mandou na maior sinceridade (eu achava ele um fofo): ¨Tu, aqui? Eras a última pessoa que achava poder encontrar num lugar como esse.¨ Nem preciso dizer que tenho certeza que dei um sorriso amarelíssimo e disse que vinha do Aniki e os olhos dele se reviraram e mudei de assunto e perguntei se estava tudo bem e que bacana tinha sido encontrá-lo e só. Na época isso me gerou um trauma imenso, me senti a própria nerd, logo eu que me sentia ¨a descolada¨ porque ouvia tudo o que caía na minha frente e frequentava todos os lugares que me diziam ser bons, fosse onde fosse, tocasse o que tocasse.

Bom, acho que o trauma sempre fica, senão não me lembraria ainda hoje do que aconteceu, a diferença é que já não me importo nada com o que possam pensar, nem se me rotulam de qualquer coisa, muito pelo contrário, dou gargalhadas imensas por dentro quando por mero acaso alguém escuta o que estou ouvindo no meu MP3 e faz a cara mais louca de surpresa se por acaso, na hora estou ouvindo algo ¨diferente¨ do que aparento gostar, mas sempre é uma situação engraçada que vai me fazer recordar o ocorrido anos atrás.

E taí uma coisa que nenhum de nós nunca vai saber verdadeiramente... qual a imagem que as pessoas fazem de nós, porque os outros no máximo dizem que gostam de nós, mas o que pensam a nosso respeito está guardado com eles que vão nos descobrindo ou não com o passar do tempo. Mas acredito que o fato de me surpreender com esse tipo de situação ou sei lá, parar pra pensar no assunto, como fiz há muitos anos atrás vem do fato de não esperar nada do ¨outro¨, ou melhor, de não achar nada sobre alguém antes de conhecê-lo, de só sentir, tipo gosto ou não gosto, ou tenho empatia e afinidade ou não tenho e sei lá porque, acho que essa empatia é uma questão de química, algo inexplicável ou explicável pra quem acredita em vidas passadas e acredita que é possível amigos e pessoas simpáticas de outras épocas se reencontrarem.

Acho que esse tipo de reflexão a gente só tem mesmo por experiência de vida, nunca por anos contabilizados, e concluí isso porque passei por várias situações na vida muito mais novinha do que as minhas amigas que hoje tem a mesma idade que eu e vejo que nem dá pra ser conselheira, só passando pelas situações pra tirar a boa experiência do acontecido.

Esse blá-blá-blá todo surge porque fiquei pensando no comentário da Maria sobre a minha preguiça e ela falava em liberdade e ri sozinha achando o máximo a observação e percebendo que sempre e ainda, a coisa mais importante na vida pra mim é e sempre foi e será a liberdade, a liberdade de ter mil facetas na personalidade e ser capaz de usar cada uma delas ou de me vestir como uma delas dependendo da hora e do momento, de gostar de ser underground - palavra antiguinha que me lembra Paris e Londres nos bons tempos - e de ser certinha ou mesmo preguiçosa e indolente dependendo do meu estado de espírito. E meu guarda-roupa comprova o que eu digo, inclusive o chinelão e o tenis todo ferrado com que saio quando dá vontade na rua está lá pra comprovar isso.

Então se você é novo aqui no Nuvens, tenha calma, o que leu aqui ou ouviu de música hoje não será exatamente o mesmo que poderá ouvir amanhã ou daqui há uns dias ou meses,e não se assuste, apesar de meio doida, eu não mordo.

Depois disso tudo, acho que a Amy se encaixa por aqui, ninguém mais do que ela é notícia pela aparência e pelo que faz e também é uma mulher e artista inteligente e talentosa.



E como quem mora em Portugal não consegue ver este vídeo, sabe-se lá raios do YouTube porquê, encontrei um jeitinho de vocês ouvirem a música.




fonte:Me, Myself and I, nós três estamos sempre juntas

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