sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Pra quem não gosta de Carnaval I

Pintura intensa de Jorginho Guinle ganha mostra no MAM


Em um dia qualquer nos anos 80, Vanda Mangia Klabin entrou despreocupadamente no bar Lagoa, um dos mais tradicionais do Rio, famoso por seus garçons mal-humorados. Deu de cara com seu amigo Jorge Guinle, que almoçava em uma das mesas.


"Não me esqueço. Ele estava completamente coberto por tinta, incluindo o livro que ele lia durante a refeição. Jorge era assim, vivia a pintura de modo muito intenso", conta ela, hoje curadora de "Jorge Guinle - Belo Caos", que é aberta amanhã no MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). "O ateliê dele [em Copacabana] também sintetizava sua forte relação com a pintura. Mal dava para entrar, o rastro das tintas já começava fora. E, dentro, nada escapava dos respingos."

Tal vigor pictórico está presente na exposição do museu paulistano, com 54 trabalhos, entre pinturas e desenhos, 18 a mais que na mostra apresentada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, no ano passado. Depois da morte de Guinle, em 1987, é a primeira grande retrospectiva em SP dedicada ao artista nascido em Nova York e que tornou-se um dos principais nomes do lado carioca da geração 80.

"Acho que a exposição traz um pouco do clima dos anos 80, quando a pintura é revalorizada aqui e lá fora. E houve a Bienal da "grande tela" [em 1985]", afirma Klabin, que assina a curadoria da exposição junto do crítico de arte e professor da PUC-Rio Ronaldo Brito. "Mas hoje há toda uma nova geração de pintores, que pode ter em Guinle uma forte influência."

Sete anos,




De acordo com Brito, o recorte da exposição se concentra na produção de Guinle nos anos 80 porque sua produção anterior ainda era "incipiente". "A obra de Guinle só vai ganhar estatura e solidez entre 1981 e 1987, um curto período, mas de grande densidade e produção", diz ele, amigo do artista desde que ambos faziam o curso clássico no Liceu Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, no Rio.

Quadros como "Florescer" (1981), para Brito, sintetizam a primeira grande fase de Guinle, quando ainda há alguma figuração. A pintura também tem "respiro" e é mais plana.

A fase seguinte, que vai deixar Guinle famoso a partir da participação na 17ª Bienal de São Paulo, em 1983, é a que tem as telas de maiores dimensões --algumas, como "1984", têm 3,40 m de largura-- e um estilo mais carregado. "É quando a obra de Guinle explode. Tudo fica mais matérico, a pintura adquire quase um componente corpóreo", diz Brito. "Ele é um dos grandes coloristas da arte brasileira. Sua obra relê de Matisse a Philip Guston."

A mostra é encerrada com telas da última fase de Guinle, como "O Manto" (1987), em que a tinta escorre pela superfície da tela. "É como uma pintura interrompida. Percebe-se como ele iria longe", avalia Brito.

Jorge Guinle - Belo Caos
Quando:
abertura amanhã, às 20h (convidados); de ter. a dom., das 10h às 18h; até 22/3
Onde: MAM-SP (pq. Ibirapuera, portão 3,
Quanto: R$ 5,50
Informações: tel. 0/xx/11/5085-1300); livre


fonte:UOL

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