segunda-feira, 30 de abril de 2007

And the winners are...


Mais um ano - ainda incompleto - e este blog recebe uma gentil nomeação de Sininho a autora do blog Ecos da Falésia (http://ecosdafalesia.blogspot.com), que me surpreendeu com a honra além de ter me deixado muitíssimo feliz. Sinto-me gratificada por alcançar meu objetivo, que é o de entreter e transmitir notícias sobre várias formas de arte, principalmente o que acontece no Brasil e Portugal através de um veículo rápido como a internet. Desta vez, o critério de escolha dos blogs abrange categorias diferentes e me deixa bastante à vontade para nomear cinco dos quais gosto muito.

Aqui estão eles, por ordem alfabética:
BECO DOS BYTES
BORBOLETAS AO LUAR
ECOS DA FALÉSIA
INCONSCIENTE E-COLETIVO
O FAROL DAS ARTES

Gosto demais do que escrevem e como escrevem. São linhas de pensamento bastante diferentes entre si e com a visão do mundo e do ser humano muito própria, com personalidade.

Desde que me conheço por gente e lá vão uns bons aninhos, tenho entre amigas e amigos pessoas confiáveis e inteligentes, algumas vezes com a cultura diferente da minha, o que me proporciona um crescimento pessoal que com o passar dos anos vai me tornando uma pessoa melhor e mais flexível. Foi exatamente isso que encontrei na blogosfera: blogs que sempre me fazem pensar, seja me divertindo ou me questionando sobre questões políticas, sociais e filosóficas.

Como funciona a nomeação: Como alguns já sabem, cada blogger nomeado deverá (se a isso estiver disposto), nomear, por sua vez, outros 5 blogs que "o(a)fazem pensar", justificando os motivos da sua escolha.
Há quem não goste de tomar parte em "cadeias", pelo que cada qual deverá sentir-se à vontade para não o fazer, caso a ideia não lhe agrade.
Mandam as regras que se copie o "logo" para o sidebar do blog - coisa que farei tão logo tenha tempo - e que se avise cada um dos nomeados que, por sua vez as publicará, ao divulgar a respectiva lista de escolhidos.


sexta-feira, 27 de abril de 2007


Traduzir-se


Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguem, fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim
Almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?
Será arte?
Será arte?


Ferreira Gullar
foto: Christian Coigny


Meu Amor


O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz


Chico Buarque
foto: Christian Coigny


Teresinha


O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração


Chico Buarque
foto: Christian Coigny

Gastronomia made in Brazil

Restaurante de SP é 38º em ranking dos 50 melhores do mundo




O restaurante D.O.M., de São Paulo, ficou em 38º lugar na lista dos melhores do mundo, segundo o ranking divulgado nesta segunda-feira pela revista Restaurant, de Londres.

Ao todo, 651 especialistas votaram no ranking The S. Pellegrino World's 50 Best Restaurants deste ano. Segundo a revista, mais da metade dos avaliadores foi renovada na lista deste ano. O ranking é elaborado desde 2002.

O D.O.M., do chef Alex Atala, é o único estabelecimento latino-americano na lista, que é dominada praticamente apenas por restaurantes da Europa e dos Estados Unidos.

Há também na lista dois restaurantes australianos (Tetsuya e Rockpool, ambos em Sidney), um indiano (Bukhara, em Nova Délhi) e um sul-africano (Le Quartier Francais, em Cidade do Cabo).

A lista é encabeçada pelo El Bulli, na Espanha. Os países com maior número de restaurantes no ranking são França (12), Estados Unidos (oito), Grã-Bretanha (sete), Espanha (seis) e Itália (seis).

Paris é a cidade com o maior número de restaurantes na lista dos 50 melhores – nove – seguida de Londres, com seis.


fonte:BBC Brasil
foto: Dudu Tresca

O 25 DE ABRIL

LIBERDADE E DEMOCRACIA



Somos livres(uma gaivota voava, voava)


Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo cualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Ermelinda Duarte


imagem:Café da Insónia

Livro medieval revela comentário antigo sobre Aristóteles

Especialistas descobriram comentários sobre uma das obras mais importantes de Aristóteles em um pergaminho medieval.

Uma equipe internacional analisou um livro de orações no qual já havia sido encontrado um trabalho do matemático Arquimedes e do político Hipérides, um político ateniense do século 4 a.C.

O livro é conhecido como Palimpsesto de Arquimedes. O palimpsesto é um antigo material de escrita, um tipo de pergaminho. Devido à escassez deste material, ou ao seu alto preço, ele era usado duas ou três vezes, depois de passar por uma raspagem do texto anterior.

Os dois textos foram encontrados no livro de oração medieval em 2002. Agora, com uso de tecnologia mais avançada, os especialistas encontraram o terceiro texto, um comentário mais antigo do que os outros dois a respeito da obra de Aristóteles.

A obra comentada é Categorias, considerada como fundação para o estudo da lógica na história ocidental e foi encontrada devido a uma série de pistas, como um nome importante na margem de uma página.

Reciclagem no século 13

O livro de orações foi escrito no século 13 por um copiador chamado John Myronas. Ao invés de usar pergaminhos novos para o trabalho, ele usou páginas de cinco livros já existentes.

"É um processo brutal, mas significava que era possível reaproveitar um pergaminho se o material estivesse em falta. Tira-se o livro da prateleira, o texto é esfregado até apagar, os livros são cortados e aí você tem um novo livro", disse William Noel, diretor do projeto.

Noel também é curador dos manuscritos no museu americano Walters Art e co-autor de um futuro livro sobre o Palimpsesto de Arquimedes.

Em 1906, foi descoberto que um dos livros reciclados para formar o manuscrito medieval continha um trabalho único de Arquimedes.

"Você imagina que conseguir encontrar um palimpsesto é muita sorte, encontrar dois é surpreendente. Mas algo ainda mais extraordinário aconteceu", afirmou o pesquisador.

Um dos livros reciclados era de leitura extremamente difícil, de acordo com Roger Easton, professor de ciência de imagem no Instituto de Tecnologia Rochester, nos Estados Unidos.

"Estávamos usando uma técnica chamada imagem multiespectral", disse.

A técnica de imagem digital usa fotografias tiradas em diferentes extensões de onda para destacar características particulares de uma área analisada. Ajustes sutis deste método permitiram que as palavras escondidas fossem reveladas. "Mesmo não entendendo grego antigo, apenas o fato de que eu podia ver as palavras me deu arrepios", disse Easton.

Tradução

Estudos mais detalhados revelaram que o autor mais provável destes comentários da obra de Aristóteles é Alexandre de Afrodisias, segundo o professor Robert Sharples do University College de Londres.

Se isso for verdade, segundo o professor, o manuscrito "nos dá parte de um comentário que pensávamos estar perdido, feito por um dos mais importantes comentaristas da obra de Aristóteles na Antigüidade".

Uma tradução temporária está sendo feita e revela o debate sobre alguns aspectos da teoria de classificação de Aristóteles como: se a expressão "que tem pés" pode ser usada para classificar algo mais, como uma cama.

"Pois como 'pé' é ambíguo quando aplicado a um animal e para uma cama, assim como 'com pés' e 'sem pés'. Então, por 'em espécies' aqui (Aristóteles) está afirmando 'em fórmula'."

"Pois se alguma vez acontece que o mesmo nome indica a diferença de gêneros que são diferentes e não subordinados um ao outro, eles não são, em qualquer classificação, a mesma fórmula."


Segundo o professor William Noel, "não existe um filósofo mais importante no mundo do que Aristóteles". "Temos um livro que contém três textos do mundo antigo que são absolutamente centrais para nosso entendimento de matemática, política e, agora, filosofia".


fonte:BBC Brasil

quarta-feira, 25 de abril de 2007

70 anos de Guernica



Símbolo da bárbarie militar, a destruição, há 70 anos, do pequeno povoado basco de Guernica (Guernika, em euskera, dialeto basco) pela força aérea nazista, que inspirou a obra-prima homônima do pintor Pablo Picasso, continua gerando polêmica neste início de século XXI.

No dia 26 de abril de 1937, o povoado de 6 mil habitantes era bombardeado pelos aviões da Legião Condor da aviação alemã, em apoio às forças nacionalistas do general Francisco Franco, meses após o início da Guerra Civil espanhola (1936-39).

O bombardeio às cegas, ao cair da tarde, num dia de mercado, provocou incêndios que destruiram três quartos da cidade, e deixou centenas de mortos. E foi assim que Guernica, base histórica do nacionalismo basco que queria derrubar Franco, se converteu na primeira cidade da História destruída por um ataque aéreo direcionado contra alvos civis.

Dois dias depois, o jornalista inglês George Steer denunciava a "tragédia" de Guernica em um célebre artigo publicado na capa do The New York Times, mas que só saiu na página 17 do Times londrino. Steer descrevia os ataques rasantes dos Junkers e Heinkel alemães que descarregaram sobre Guernica milhares de bombas, a maioria incendiárias, antes de metralhar os moradores que escapavam dos incêndios.

Os nacionalistas acusaram imediatamente as forças republicanas de ter incendiado a cidade, argumento de propaganda durante muito tempo repetido pelos meios de comunicação e círculos conservadores da Europa. Posteriormente, quando se viram contra a parede, os franquistas atribuíram a responsabilidade pelo massacre aos alemães, que por sua vez afirmavam que só pretendiam bombardear uma ponte e uma fábrica de armas nos arredores de Guernica. Entretanto, nem a ponte, nem a fábrica foram alcançadas pelas bombas.

Pesquisas históricas, em particular uma extensa investigação feita nos anos 70 pelo jornalista inglês Gordon Thomas, permitiram confirmar que o bombardeio fazia parte de uma "estratégia de terror" idealizada pelos franquistas em parceria com seus aliados nazistas. O general golpista Emilio Mola, que comandava a ofensiva contra os republicanos no norte da Espanha, havia explicado claramente que sua intenção era "arrasar Vizcaya" e terminar rapidamente com a guerra na região.

Mesmo diante dessas evidências, o drama ainda é minimizado em algumas esferas da direita no país, em uma Espanha que ainda não se esqueceu de uma sangrenta guerra civil que deixou mais de meio milhão de mortos.

Em um recente e bem-sucedido livro sobre a Guerra Civil, intitulado "La Guerra que ganó Franco" (A Guerra vencida por Franco, numa tradução literal), o historiador conservador César Vidal qualifica o bombardeio de Guernica como um "episódio menor" que serviu como pretexto à Frente Popular (esquerda) para denunciar "a barbárie fascista". Segundo Vidal, o bombardeio de Guernica "superou por pouco uma centena" de mortos devido à "lamentável incompetência" das autoridades locais, incapazes de "construir abrigos" ou de apagar os incêndios.

Em seu artigo, Steer fala em centenas de vítimas, enquanto as autoridades bascas indicaram, em um primeiro momento, que o bombardeio havia provocado 800 mortos. Mais tarde, elevaram esse número para 1.654 vítimas fatais. As estimativas dos historiadores variam entre 300 e mil mortos.

Pablo Picasso nunca duvidou da origem e magnitude dessa tragédia, que retratou em sua célebre tela de 1937, batizada com o nome do povoado bombardeado.

"Vocês fizeram isso?", perguntou algum tempo depois, em Paris, o embaixador alemão Otto Abetz ao autor da obra. "Não, foram vocês", respondeu Picasso, que destinou os lucros das exposições de "Guernica" à causa republicana.


fonte:AFP

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Devolução dos mármores de Elgin

British Museum estuda empréstimo de mármores à Grécia


O devolvo/não devolvo já vem desde o ano passado, e agora a idéia é de um emprétimo! O British Museum de Londres considera a possibilidade de devolver à Grécia os mármores de Elgin do Parthenon, levados para a Inglaterra no começo do século 19.



Neil MacGregor, diretor da instituição londrina, disse que é possível que os mármores sejam enviados para Atenas "de forma provisória" - contanto que as autoridades gregas "reconheçam" que as obras "são de propriedade britânica".

A Grécia defende que ocorreu uma apropriação ilegal e que as peças devem ser devolvidas. "Não há razão alguma para que qualquer objeto do British Museum, sempre que estiver em boas condições para viajar, não passe três ou seis meses em algum país do mundo", destacou o diretor.

Mármores de Elgin é o nome popular dado a uma extensa coleção de mármores procedentes do Parthenon grego. A posse desses mármores antigos foi motivo de disputa desde que foram retirados da Acrópole, entre 1803 e 1812. Essas esculturas foram levadas para a Inglaterra por Thomas Bruce, o lorde Elgin, na época embaixador britânico no império Otomano, e foram vendidas ao governo do Reino Unido em 1916. Desde então, a Grécia pede insistentemente a devolução das peças que datam de 432 a.C..

"A dificuldade de emprestar esses mármores para a Grécia é que as autoridades desse país negaram recentemente que a propriedade dos mármores seja do British Museum", acrescentou MacGregor. Cerca de metade das esculturas estão no Parthenon, e Atenas espera poder reunir o restante para inaugurar o museu da Acrópole.

No total, a coleção do British Museum representa mais da metade das esculturas decorativas do Parthenon. As apropriações de Elgin incluíram peças de outros edifícios da Acrópole de Atenas: o Erectéion, reduzido a ruínas durante a guerra da Independência Grega (1821- 1823), os Propileos e o Templo de Atenea Niké.

Os mármores de Elgin incluem algumas estátuas, os painéis de Métopa e o piso do Parthenon, que decorava a parte interna do templo.

n.r.: ainda bem que nos dias atuais, no Egito, é proibido sair do país qualquer descoberta arqueológica, quanto mais o que já foi descoberto.


fonte:Folha Online

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Bizarro



É sabido o uso de estímulos visuais na propaganda de um produto de consumo, agora estímulo visual para a utilização de banheiros públicos é novidade.

Na cidade de Chongqing, na China, acharam que seria interessante a criação de esculturas no exterior de um banheiro público. Ninguém explica porque foram escolhidas mulheres abraçadas, de costas e salto alto - modelito scarpin.

Terão os chineses o hábito de "fazer xixi fora do penico" ou fora "do banheiro público"? Calada, boquinha maldosa, calada!!!


fonte:UOL

Arte estelar

Imagem de infravermelho no telescópio da Nasa, mostra região em que se está formando uma estrela na constelação de Monoceros que fica acerca de 5 mil anos-luz da Terra.




fonte:UOL

quinta-feira, 19 de abril de 2007

SP Arte

É quase fim de semana, sábado é feriado, vamos a uma exposição?

"Chegando", de Cristina Canale da Silva Cintra

Pelo terceiro ano consecutivo, a SP Arte Feira Internacional de Arte Moderna e Contemporânea acontece em São Paulo e registra aumento no número de participantes. A edição 2007 será entre os dias 18 e 22 de abril, no edifício Bienal do Parque Ibirapuera, terá 59 galerias, nove a mais do que em 2006, e cerca de duas mil obras de sete países. O modelo seguido é o de grandes feiras internacionais como a Arte Basel (Suíça) e sua edição de Miami, com palestras e ciclo de debates paralelamente ao evento principal. Destes, participarão artistas como Cildo Meirelles e José Resende, os curadores Tadeu Chiarelli e Cristina Tejo e o galerista André Millan.

Estão confirmadas galerias de França, Espanha, Argentina, Portugal, Chile e Uruguai, além das brasileiras. Daqui, há 53 galerias de cinco estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. A organização espera atingir um público de cerca de 10 mil visitantes, entre curadores, profissionais e admiradores de arte.

"Paisagem urbana no Rio de Janeiro", de Di Cavalcanti


Veja abaixo a programação do ciclo de debates e a lista das galerias participantes:

19 de abril - quinta-feira, 17h30
"A arte e os poderes da imagem"
O avanço das técnicas de reprodução da imagem, desde inícios do século XX, vem causando um impacto significativo e cada vez maior também no âmbito da arte. Em que medida a produção artística atual, que em boa parte lida com essas técnicas - seja na fotografia, no vídeo ou nos meios interativos - é capaz de discutir seus desdobramentos estéticos e suas implicações ideológicas?
Debatedores: Agustín Perez Rubio, curador do MUSAC - Museo de Arte Contemporânea de Castilla (Espanha); José Resende, artista plástico; Tadeu Chiarelli, crítico e historiador de arte.

20 de abril - sexta-feira, 17h30
"Afinal, o que é o mercado de arte no Brasil?"
Em meio a várias dificuldades encontradas na constituição de um programa de aquisições por parte das instituições públicas e privadas, nas oscilações das políticas governamentais para a cultura, na concorrência propiciada pela internacionalização vertiginosa das trocas comerciais, entre outros fatores, o mercado de arte no Brasil vai mais e mais se profissionalizando. Quais seus maiores obstáculos e suas melhores promessas?
Debatedores: André Millan, galerista; Claudia Láudano, jornalista e crítica de arte; Ricardo Sardenberg, jornalista e crítico de arte. Mediação: Cristiane Tejo, curadora e crítica de arte, diretora do MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães.

21 de abril - sábado, 16h30
"A estrutura da cor"
A cor só atinge o campo da arte quando o seu sentido está ligado a um pensamento ou a uma atitude, escreveu Hélio Oiticica. Da pintura à fotografia, do objeto à instalação, o trabalho com a cor na arte contemporânea leva adiante antigas tradições, mas também explora novas possibilidades de seu potencial de estruturação.
Debatedores: Cildo Meirelles, artista plástico; Dudi Maia Rosa, artista plástic; Ronaldo Brito, crítico de arte.

22 de abril - domingo, 16h30
Publicações de arte no Brasil: documentação e pontos críticos
O número de publicações dedicadas ao universo da arte vem crescendo muito no Brasil - reflexo da maior profissionalização do próprio meio de arte em geral. A melhora da qualidade de catálogos de exposição e livros sobre artistas e tendências locais e internacionais, história e crítica de arte, convive, entretanto, com grandes lacunas bibliográficas e com um circuito de publicações ditas alternativas, que cobrem áreas muitas vezes não alcançadas pelas edições regulares.
Debatedores: Augusto Massi, editor da Cosac Naify; Luisa Duarte, crítica de arte; Martha Ribas, editora da Casa da Palavra. Mediação: André Stolarski, designer gráfico.

Galerias presentes à SP Arte:
1 - A Gentil Carioca (RJ)
2 - Almacén (RJ)
3 - Almeida & Dale (SP)
4 - Anita Schwartz (RJ)
5 - Arte 21 (RJ)
6 - Arte 57 (SP)
7 - Arte em Dobro (RJ)
8 - Athena (RJ)
9 - Bolsa de Arte de Porto Alegre (RS)
10 - Casa Triângulo (SP)
11 - Celma Albuquerque (MG)
12 - Dan (SP)
13 - Estudio Guanabara (RJ)
14 - Gabinete de Arte Raquel Arnaud
15 - Artur Fidalgo (RJ)
16 - Berenice Arvani (SP)
17 - Bergamin (SP)
18 - Brito Cimino (SP)
19 - Ipanema (RJ)
20 - Isabel Aninat (Chile)
21 - Deco
22 - Eduardo H. Fernandes
23 - Fortes Vilaça (SP)
24 - Jean Boghici (RJ)
25 - Leme (SP)
26 - Lemos de Sá (MG)
27 - Luis Adelantado (Espanha)
28 - Mariana Moura (PE)
29 - Marilia Razuk (SP)
30 - Mário Sequeira (Portugal)
31 - Millan (SP)
32 - Murilo Castro (MG)
33 - Nara Roesler (SP)
34 - Oeste (SP)
35 - SUR (Montevidéo)
36 - Tempo (RJ)
37 - Thomas Cohn (SP)
38 - Virgilio (SP)
39 - Galerie Sycomore (Paris)
40 - GC Estudio de Arte (Argentina)
41 - Gesto Gráfico
42 - H.A.P. (RJ)
43 - Hilda Araujo Escritório de Arte (SP)
44 - Instituto Moreira Salles (SP)
45 - Laura Marsiaj Arte Contemporânea (RJ)
46 - Léo Bahia - Arte Contemporânea (MG)
47 - Manoel Macedo (MG)
48 - Márcia Barrozo do Amaral (RJ)
49 - Mercedes Viegas Arte Contemporânea (RJ)
50 - Mônica Filgueiras (SP)
51 - Múltipla de Arte (SP)
52 - Paulo Darzé (BA)
53 - Paulo Kuczynski Escritório de Arte (SP)
54 - Pinakotheke Cultural (RJ e SP)
55 - Ricardo Camargo (SP)
56 - Sergio Caribé (SP)
57 - Silvia Cintra (RJ)
58 - Steiner (SP)
59 - Valu Oria (SP)

3ª SP Arte
» ONDE: Pavilhão da Bienal
Parque Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º - Acesso pelo Portão 3»QUANDO: 18 a 22/4.
Horários: 19 e 20 (quinta e sexta-feira): das 14h às 22h; 21 e 22 (sábado e domingo): das 12h às 21h
» QUANTO:R$ 20,00
Meia-entrada para estudantes e aposentados. Preços especiais para compra de ingressos para múltiplos dias. Catálogo: R$ 15. Local de vendas: bilheteria da feira na Bienal, a partir das 11h.



fonte:

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Museu do Sal da Sicília

Na Estrada do Sal da Sicília, uma arte bem antiga resiste ao teste do tempo


por Stephen Heuser


Há milhares de anos, antes de a Sicília se tornar famosa como terra natal da Máfia; antes de perder a distinção de ser conhecida pelas laranjas mais perfeitas do mundo; antes de ser conquistada pelos italianos ou pelos sarracenos ou antes mesmo dos tempos da Roma antiga, esta vasta ilha no Mediterrâneo era concorrida e famosa por sua safra anual de sal. Quando ninguém poderia imaginar algo como uma geladeira, o sal era a maneira mais eficaz de se preservar os alimentos. Era transportado pelo mar, usado como dinheiro, misturado em pastas e esculpido em jóias.

Os sicilianos que viviam ao longo da suave costa ocidental, abençoados pela água salobra e pelos quentes e ventilados verões, encontraram uma fonte de riqueza quase inestimável. Refinaram a técnica de extrair sal da água do mar evaporada, transformando a costa em uma enorme salina, com seus pequenos lagos, canais e montes brancos de valor quase inestimável.

Dois mil anos mais tarde, agora o sal custa um dólar por lata nos supermercados do mundo. E nos últimos cinqüenta anos o maior item de exportação da Sicília tem sido sua própria gente.



A modernidade criou contradições profundas - os turistas chegam aos bandos às extraordinárias ruínas gregas e aos hotéis de quatro estrelas cheios de varandas na costa leste da ilha. Há um resort de esqui vulcânico em pleno monte Etna, com seus mais de 3.000 metros de altura. Mas atrás dessa fachada turística, a ilha ainda é um aglomerado de fazendas e de pobres aldeias que lutam para se erguer e se livrar dos efeitos do passado feudal corrupto.

Eu também ouvira falar que na remota costa ocidental ainda havia amplas e rasas salinas, e de algumas pessoas que passavam os meses aflitivos de verão na Sicília extraindo do lodo evaporado os tais montes de cristal branco. Parecia assim tão sem sentido, tão exaustivo, tão italiano. Claro que eu tinha que ver isso de perto.

A viagem para a Sicília já estava decidida. Minha esposa estuda arte antiga e planejamos uma viagem de duas semanas ao redor da ilha para conhecer os vestígios do domínio grego e romano. Para conhecer o sal teríamos que fazer pequeno desvio até chegar à cidade costeira de Trapani, capital extra-oficial da indústria das salinas.



Era março, bem antes da temporada turística. Em direção ao leste, os resorts mal começavam a desenrolar seus toldos. No coração montanhoso da ilha, ventos rigorosos traziam rajadas com flocos de neve. Os posters de aeroporto sempre fazem a Sicília parecer com a Costa Brava, balneário de vinhedos dourados e barracas de praia, mas isso não ocorre nesta época do ano. Eu guardei o calção de banho no fundo da mala e comprei um par de calças mais grossas.

Nós alugamos um Fiat branco com um bagageiro que mal comportava nossas malas e partimos em direção ao oeste, longe da capital Palermo e dos grandes resorts. Tinha sido alertado sobre os terrores ao volante na Sicília, mas nós praticamente flutuamos pelas amplas estradas, passando por morros verdes pontilhados por onipresentes apartamentos de concreto construídos pela metade. Nós nos divertíamos com o minúsculo motor do nosso carro e com seu pequenino nome -"Punto", o ponto - até que começamos a observar que havia outros Fiats Punto passando por nós a 180 quilômetros por hora, desafiando o tráfego.

Bem antes do que o esperado, talvez a apenas uma hora do aeroporto, já nos aproximávamos da Costa do Sal. Os vestígios da indústria de sal podem não estar entre os principais pontos de peregrinação turística no Mediterrâneo, mas nós não tivemos problemas em identificá-los. Placas na estrada identificavam a "Via del Sale", ou estrada do sal, que vai para o sul, de Trapani à próxima cidade costeira, Marsala.

Seguimos a estrada da cidade e vimos que o caminho passava por uma série de planas fazendas costeiras. Enquanto nos aproximávamos da costa, as fazendas davam lugar a algo meio estranho - imensos retângulos de água demarcada. As piscinas rasas interconectadas margeiam a costa por vários quilômetros, pontilhadas por moinhos de vento que só recentemente foram suplantados por meios mais modernos para se bombear água e extrair cristais de sal.

Nosso destino era o óbvio - o Museo delle Saline. O museu não tem propriamente um endereço, mas partimos esperançosos em direção a um vilarejo chamado Nubia. Nos confins de uma reserva natural aquática, sob mormaço e vento rigoroso, nós entramos em um terreno de estacionamento, que tinha singular casinha baixa de pedra.

O museu tem um restaurante para os visitantes ocasionais e uma loja de lembranças. Mas quando entramos o restaurante estava fechado. Na verdade, todo o terreno estava vazio, à exceção de um carro estacionado, estranhamente, bem em frente à entrada dianteira. Enquanto nos aproximávamos, uma mulher saiu do carro. "Museo?", perguntamos. Ela era a curadora. Nós éramos os únicos visitantes.

O museu do sal não é muito grande, mas como muitos museus especializados é intenso em relação a seu objeto de devoção. E eu que pensava que para se extrair o sal o processo poderia ser bem simples - você deixa um tanto de água do mar evaporando ao sol, e quando estiver crocante e branco, está pronto o cristal. Não é bem assim.

Se a evaporação for muito rápida ou muito lenta, outras substâncias - más substâncias - podem se cristalizar a partir da água salgada e você terminaria apenas com sal amargo, ou sal metálico, e algum príncipe fenício ou aragonês poderia lhe torturar até fazer você acertar a mão.

Produzir sal é uma arte - a água do mar flui em direção a uma lagoa gigante, e aí é bombeada para toda uma série hierarquizada de piscinas para evaporação, cada uma com suas específicas profundidade, temperatura e nomenclatura.

As paredes do museu eram cobertas com complexos diagramas e tabelas de salinidade, como se dissessem: "Nós sabemos que você pensava que fosse fácil". Enormes rodas de madeira maciça e parafusos de Arquimedes evocavam décadas de trabalho árduo. As piscinas de sal tinham também a sua hierarquia humana, com a água sendo provada com cuidado e monitorada por um empregado, cujo pai o havia ensinado a distinguir quando o sal estava no ponto. Tudo no museu - as paredes, as tabelas, o equipamento - parecia coberto por uma fina poeira branca. Encostei meu dedo na poeira e provei. Estava salgado.

O sal siciliano é conhecido pelo sabor mineral e por ser de rápida dissolução; seus defensores citam o índice elevado de magnésio como uma virtude culinária. Eu nunca poderia constatar a diferença. Para mim, aferir a consistência e o gosto do sal na Sicília era como beber uma taça de vinho num vinhedo - de alguma forma a substância tem um sabor melhor só porque você ocupa a faixa de terra que a produziu.

Na verdade nós estávamos lá no momento errado para ver a produção de sal. A estação da colheita não começaria até o meio do verão, quando o sal molhado flutua à superfície das últimas piscinas, como se fosse uma densa coroa de neve primaveril. Os trabalhadores sazonais limpam a lama, formam montes piramidais, e cobrem os montes de sal com telhas. Tudo o que podíamos ver era o restante da colheita do ano passado. Sob os tijolos vermelhos, as pilhas do sal pareciam montes íngremes desabitados, compartimentos construídos a partir de um simples condimento.

Nós seguimos pela costa abaixo, percorrendo a Estrada do Sal. Nós passamos por campos, cercas, pequenas sedes de fazendas; e eis que um beco sem saída nos levou a um moinho de vento. Pouco depois fomos parar nas docas da balsa que vai para a ilha particular de San Pantaleo e para outra espécie de museu do sal - uma mina em funcionamento, chamada de salina Ettore e Infersa.

A costa estava quente, silenciosa de dar sono. Lá por perto, um velhinho vendia em seu carro algumas relíquias fenícias falsificadas. Um café vendia expresso e suco de tangerina siciliana espremida a mão. Videiras balançavam ao sol. Uma vez mais, não havia quase ninguém por lá a não ser nós mesmos.

Hoje em dia, a Sicília precisa importar quase tudo, com exceção do sal. Naquela noite nós pernoitamos numa fazenda convertida em pousada, chamada Duca di Castelmonte. O sobrenome do nosso anfitrião, Curatolo, falava da história de uma família que ocupava o topo da hierarquia do sal, mas ele vive mesmo é da fazenda, da pousada, da produção de azeite de oliva e de um clube de futebol. Ele também estava dotado de um recurso que agora vale mais do que o sal - a melhor culinária da região, por milhas e milhas.

A razão de ser do sal, naturalmente, é servir de condimento para o alimento. Não digo que a comida estava carregada de sal, mas nosso primeiro jantar na sede da fazenda de Curatolo foi como nada que você poderia imaginar, com todos os pratos elaborados com ingredientes locais, temperados com o azeite de oliva da região. Uma límpida sopa de couve-flor; uma caponata de berinjela quentinha; steak processado flambado no azeite. O jantar terminou com um inusitado licor local feito de erva-doce.

Nós seríamos capazes de gastar outros 10 dias na Sicília, visitando recantos famosos e comendo de maneira espetacular - há também o inusitado pesto de amêndoa, queijo grelhado em fogo aberto, calamares fresquinhos vindos do mar.

Raramente víamos saleiros. Na mesa italiana, presume-se acima de tudo que o chef já acertou o ponto, de primeira. Quando pedíamos o saleiro, encarávamos o produto com cuidado. O sal havia brotado de lendários e desajeitados montes, e o sal marinho conservava características de umidade que remontam às antigas caçarolas. Mas quando o colocávamos sobre nossas línguas... bem, o sabor era normal, de puro sal.


n.r.: eu tive um Punto que voava...


fonte:The Boston Globe

Voltei!!!

"Crocodilo do deserto" habitava Bauru

A região de Bauru, interior paulista, era o habitat de um "crocodilo do deserto", revela um novo fóssil. Foi anunciada ontem no Rio a descoberta de uma nova espécie de crocodilomorfo - parente dos atuais crocodilos - que viveu há 90 milhões de anos na bacia Bauru (região que abrange áreas hoje dos Estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Minas e Mato Grosso do Sul).

O fóssil foi encontrado no município de Marília (SP) e sua reconstituição, feita por pesquisadores do Departamento de Geologia da UFRJ, indica que a espécie tinha pequena dimensão (50 cm de comprimento e 10 kg), era terrestre, onívora (se alimentava de carnes e vegetais) e viveu num ambiente semelhante a um deserto por sua aridez e altas temperaturas (em torno de 60ºC).

O trabalho dos pesquisadores Pedro Henrique Nobre e Ismar de Souza Carvalho foi publicado na revista científica "Gondwana Research". Os fósseis foram encontrados em 1998 pelo paleontólogo amador William Nava. Em sua homenagem, a nova espécie foi batizada Adamantinasuchus navae. Apesar de ser classificada como um crocodilomorfo, a nova espécie pertence a uma linhagem diferente daquela que originou os crocodilos e jacarés atuais e possui características anatômicas inéditas.

Em vez de viver a maior parte do tempo na água, o A. navae habitava áreas secas e quentes e era capaz de percorrer por terra grandes distâncias. Além do pequeno porte, os cientistas citaram como traços únicos e peculiares o focinho curto e alto, grandes órbitas, ossos da perna longos e estrutura dentária com atributos semelhantes aos dos mamíferos.

Essa última característica reforça para Carvalho a hipótese de que esses pequenos crocodilos ocuparam um espaço ecológico na cadeia alimentar semelhante ao dos mamíferos hoje. "Eram animais pequenos e com dieta onívora. Além disso, eram oportunistas, ou seja, ocupavam todos os espaços ecológicos. Um ambiente tão árido e seco não é favorável a esse tipo de forma, mas eles lá estavam, da mesma maneira que encontramos hoje mamíferos nos ambientes mais diversos e extremos."

Apesar dessa maior capacidade de adaptação, Carvalho afirma que a linhagem se extinguiu no final do Cretáceo (o último período dentro da era dos dinossauros). "Como o final do Cretáceo é um momento de transição para condições cada vez mais úmidas e chuvosas, essa espécie deve ter tido dificuldade para sobreviver nesse novo ambiente. Eles deviam se afogar com muita facilidade."

A pesquisa de Carvalho e Nobre contou com apoio da Faperj, CNPq (Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico), prefeitura de Marília e do Museu de Paleontologia de Marília, onde ficará exposta a reconstrução do minicrocodilo.


fonte:Folha de S.Paulo

terça-feira, 10 de abril de 2007

Portugal sanciona a lei do aborto

Cavaco Silva sugere várias recomendações na sua aplicação


"Aborto, um mal social a ser prevenido", (Cavaco Silva).
O chefe do Estado português, o conservador Aníbal Cavaco Silva, decidiu nesta terça-feira (10) sancionar a lei que descriminaliza a interrupção voluntária da gravidez durante as primeiras 10 semanas. Ele, porém, sugeriu várias recomendações para sua aplicação.

O presidente, que tinha poder de veto sobre a norma, optou por promulgar o projeto aprovado no Parlamento depois de 59,25% dos portugueses apoiarem a medida em referendo, no dia 11 de fevereiro, embora o resultado da consulta não fosse de cumprimento obrigatório, uma vez que a abstenção ultrapassou a metade do eleitorado.

Em comunicado à Assembléia Legislativa, que acompanhava a promulgação da lei, o presidente lembrava ainda que esta foi aprovada após a realização de um plebiscito que não contou com a participação de 50% dos eleitores necessária para ter validade jurídica segundo o artigo 115 da Constituição.

No entanto, o chefe de Estado afirma que o Parlamento não está juridicamente vinculado ao resultado do plebiscito, e que o Partido Socialista (PS, no Governo e promotor da iniciativa) poderia aprovar o decreto de acordo com as concorrências que a Constituição atribui a ele.

Cavaco Silva, que se tornou primeiro-ministro pelo Partido Social Democrata (PSD, principal da oposição), disse, no entanto, que na hora de tomar a decisão de sancionar a lei não pôde ignorar o desejo de 59,25% dos eleitores e a aprovação da medida no Parlamento.

A medida foi aprovada em 8 de março com o apoio do PS, do Partido Comunista Português, do Partido Verde, do Bloco de Esquerda e de parte dos deputados do PSD.

A lei atual, de 1984, impõe penas de até três anos de prisão à mulher que se submeter a um aborto ilegal, e de dois a oito anos ao médico que realizar a operação, mas permite o aborto nas primeiras 12 semanas em caso de estupro ou em caso de risco para a vida ou a saúde da mãe.



O governo

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, congratulou-se hoje com a decisão do Presidente da República de promulgar a nova lei de despenalização do aborto e prometeu que o Governo irá tomar em consideração as recomendações que Cavaco Silva enviou à Assembleia da República.

"Todas as sugestões e alertas contidos na mensagem do Presidente da República serão obviamente tidos em consideração na regulamentação e na aplicação da lei", disse Augusto Santos Silva, numa declaração enviada à Lusa e feita em nome do Governo.

"Trata-se de uma iniciativa conduzida pela maioria parlamentar [socialista] e cuja conclusão representa o cumprimento de um dos mais importantes compromissos eleitorais assumidos pelo PS em 2005 — compromisso a que o programa do Governo também se refere —", salientou o membro do executivo.

Augusto Santos Silva disse ainda que o Governo "encarou com naturalidade" a decisão do Presidente da República de promulgar a lei em virtude "do resultado verificado no referendo realizado no passado dia 11 de Fevereiro", mas também porque a lei foi depois "aprovada por uma muito ampla maioria de deputados na Assembleia da República".

A decisão de Cavaco Silva, anunciada no site da Presidência da República, é acompanhada de uma mensagem enviada à Assembleia da República "em que identifica um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a assegurar um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença".

As recomendações

O Presidente da República promulgou hoje a lei da exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez, tendo enviado à Assembleia da República uma mensagem em que identifica um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a assegurar um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença.

É o seguinte o teor da mensagem enviada pelo Presidente da República à Assembleia da República:

Nos termos do artigo 134º, alínea b), da Constituição, decidi promulgar como Lei o Decreto nº 112/X, da Assembleia da República, que regulou a exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez.

No uso da faculdade prevista na alínea d) do artigo 133º da Constituição, entendi fazer acompanhar o acto de promulgação de uma mensagem à Assembleia da República.

1. Como é do conhecimento público, o Decreto nº 112/X foi aprovado na sequência do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez que se realizou no dia 11 de Fevereiro de 2007, o qual não logrou obter a participação de votantes necessária para que o mesmo se revestisse, nos termos do artigo 115º, nº 11, da Constituição, de carácter juridicamente vinculativo.

2. Não se encontrando a Assembleia da República juridicamente vinculada aos resultados do citado referendo, entendeu todavia o legislador, no uso de uma competência que a Constituição lhe atribui, fazer aprovar o Decreto que agora me foi submetido a promulgação.

3. Para esse efeito, terá por certo concorrido a circunstância, a que o Presidente da República não pode ser indiferente, de naquele referendo ter sido apurada uma percentagem de 59,25 % de votos favoráveis à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, nas condições e nos termos expressos na pergunta submetida à consulta popular e cuja constitucionalidade o Tribunal Constitucional, através do seu Acórdão nº 617/2006, deu por verificada.

4. De igual modo, não pode o Presidente da República ser indiferente à circunstância de o Decreto nº 112/X ter sido aprovado por uma larga maioria parlamentar.

5. Considero, todavia, que existe um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a que, da concretização da legislação ora aprovada e de outras leis a emitir no futuro, se assegure um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença.

6. Assim, prevendo a Lei que a «informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável» da mulher grávida, a que se refere a alínea b) do nº 4 do artigo 142º do Código Penal, seja definida através de portaria – opção que se afigura questionável, dada a extrema sensibilidade da matéria em causa – importa, desde logo, que a mulher seja informada, nomeadamente sobre o nível de desenvolvimento do embrião, mostrando-se-lhe a respectiva ecografia, sobre os métodos utilizados para a interrupção da gravidez e sobre as possíveis consequências desta para a sua saúde física e psíquica.

A existência de um «período de reflexão» só faz sentido, em meu entender, se, antes ou durante esse período, a mulher grávida tiver acesso ao máximo de informação sobre um acto cujas consequências serão sempre irreversíveis. E a decisão só será inteiramente livre e esclarecida se tiver por base toda a informação disponível sobre a matéria.

Por outro lado, afigura-se extremamente importante que o médico, que terá de ajuizar sobre a capacidade de a mulher emitir consentimento informado, a possa questionar sobre o motivo pelo qual decidiu interromper a gravidez, sem que daí resulte um qualquer constrangimento da sua liberdade de decisão.

Parece ser também razoável que o progenitor masculino possa estar presente na consulta obrigatória e no acompanhamento psicológico e social durante o período de reflexão, se assim o desejar e a mulher não se opuser, sem prejuízo de a decisão final pertencer exclusivamente à mulher.

É ainda aconselhável que à mulher seja dado conhecimento sobre a possibilidade de encaminhamento da criança para adopção, no âmbito da informação disponibilizada acerca dos apoios que o Estado pode dar à prossecução da gravidez, nos termos da alínea b) do nº 2 do artigo 2º da presente Lei.

A transmissão desta informação deve revestir-se de um conteúdo efectivo e concreto, não podendo cingir-se a uma mera formalidade, antes tendo de incluir todos e quaisquer elementos que esclareçam a mulher sobre a existência de procedimentos, medidas e locais de apoio do Estado à prossecução da gravidez e à maternidade.

A disponibilização da informação acima referida constitui algo que não só não contende com a liberdade de decisão da mulher, como representa, pelo contrário, um elemento extremamente importante, ou até mesmo essencial, para que essa decisão seja formada, seja em que sentido for, nas condições mais adequadas – quer para a preservação do seu bem-estar psicológico no futuro, quer para um correcto juízo de ponderação quanto aos interesses conflituantes em presença, quer, enfim, quanto às irreparáveis consequências do acto em si mesmo considerado.

7. Tendo em conta que o acompanhamento psicológico e social, durante o período de reflexão que precede a interrupção da gravidez, pode ser prestado não apenas em estabelecimentos oficiais mas também em estabelecimentos de saúde oficialmente reconhecidos (v.g., clínicas privadas especialmente dedicadas a esse fim), importa que o Estado assegure uma adequada fiscalização, designadamente através da implementação de um sistema de controlo da qualidade profissional e deontológica e, bem assim, da isenção daqueles que procedem a tal acompanhamento.

Na verdade, podendo não existir separação entre o estabelecimento onde é realizado o acompanhamento psicológico e social e aquele em que se efectua a interrupção da gravidez e tendo a Lei procurado garantir a imparcialidade e a isenção dos profissionais de saúde – determinando-se, nomeadamente, que o médico que realize a interrupção não seja o mesmo que certifica a verificação das circunstâncias que a tornam não punível –, considero que salvaguardas do mesmo teor devem ser asseguradas no que respeita ao acompanhamento psicológico e social, especialmente quando a interrupção da gravidez é realizada numa clínica privada.

Além disso, o Estado não pode demitir-se da função de criar uma rede pública de acompanhamento psicológico e social, para as mulheres que o pretendam, ou de apoiar a acção realizada neste domínio por entidades privadas sem fins lucrativos.

8. Para além do plano regulamentar, a exclusão dos profissionais de saúde que invoquem a objecção de consciência, prevista no nº 2 do artigo 6º, parece assentar num pressuposto, de todo em todo indemonstrado e ademais eventualmente lesivo da dignidade profissional dos médicos, de que aqueles tenderão a extravasar os limites impostos por lei e, além de informarem a mulher, irão procurar condicioná-la ou mesmo pressioná-la no sentido de esta optar pela prossecução da gravidez.

Não parece que a invocação da objecção de consciência à prática da interrupção da gravidez constitua, em si mesma, motivo para a desqualificação dos médicos para a prática de um acto de outra natureza – a realização de uma consulta com um conteúdo clínico informativo.

Esta exclusão é tanto mais inexplicável quanto, em situações onde podem existir legítimos motivos para suspeitar da imparcialidade e da isenção dos prestadores da informação, o legislador nada previu, nem evidenciou idênticas preocupações quanto à salvaguarda da autonomia das mulheres.

9. Além disso, é legítimo colocar a dúvida sobre se a invocação do direito à objecção de consciência pelos médicos e outros profissionais de saúde tem de ser feita obrigatória e exclusivamente de modo geral e abstracto – o que parece desproporcionado – ou se poderá ser realizada também selectivamente, de acordo com circunstâncias específicas transmitidas pela mulher, nomeadamente o recurso reiterado à interrupção da gravidez, a existência de pressão de outrem para a decisão tomada ou mesmo o sexo do embrião, cada vez mais precocemente determinável.

10. Considero que devem ser delimitadas de forma rigorosa as situações de urgência em que a interrupção da gravidez pode ter lugar sem a obtenção do consentimento escrito da mulher e sem observância do período de reflexão mínimo de três dias, nos termos do nº 6 do artigo 142º do Código Penal. Esta questão ganha agora uma acuidade acrescida com a despenalização da interrupção da gravidez, por opção da mulher, até às dez semanas.

11. Sendo a interrupção da gravidez um mal social a prevenir, como foi amplamente reconhecido por todas as forças que participaram na campanha do referendo, será anómalo que o legislador não tome providências que visem restringir ou disciplinar a publicidade comercial da oferta de serviços de interrupção da gravidez.

Assim, à semelhança do que fez em relação a outros males sociais, devem proscrever-se, nomeadamente, formas de publicidade que favoreçam a prática generalizada e sistemática da interrupção voluntária da gravidez, em detrimento de métodos de planeamento familiar cujo acesso o Estado está obrigado a promover e que, nos termos da presente Lei, se encontra vinculado a transmitir à mulher.

12. Justamente no quadro do planeamento familiar, tem igualmente o Estado a obrigação, agora ainda mais vincada, de levar a cabo uma adequada política de promoção de uma sexualidade responsável e de apoio à natalidade.

13. Registei o progresso efectuado no sentido de aproximar o conteúdo do diploma das soluções contidas na generalidade das legislações europeias nesta matéria, através da proposta de alteração apresentada no Plenário da Assembleia da República no dia 8 de Março, que determinou a obrigatoriedade de a mulher que se proponha interromper a gravidez ser informada sobre «as condições de apoio que o Estado pode dar à prossecução da gravidez e à maternidade».

14. Considero ainda que, se o processo legislativo em causa tivesse beneficiado de um maior amadurecimento e ponderação, talvez daí resultassem, como seria desejável, um consenso político mais alargado e soluções mais claras em domínios que se afiguram de extrema relevância, alguns dos quais atrás se deixaram identificados, a título exemplificativo.

Após a sua entrada em vigor, caberá então verificar se, na prática, esta Lei contribui efectivamente para uma diminuição não só do aborto clandestino como também do aborto em geral, o que implica uma avaliação dos resultados do presente diploma, a realizar pelo legislador num prazo razoável.

15. De todo o modo, no Decreto nº 112/X, aprovado por uma ampla maioria, encontram-se reunidas, no essencial, as condições para que se dê cumprimento aos resultados da consulta popular realizada no dia 11 de Fevereiro de 2007 e à pergunta então submetida a referendo.

Além disso, os aperfeiçoamentos introduzidos no decurso do debate parlamentar constituem, na medida em que se tenham em consideração as observações atrás formuladas, um passo para conciliar a liberdade da mulher e a protecção da vida humana intra-uterina, valor de que o Estado português não pode, de modo algum, alhear-se.

Lisboa, 10 de Abril de 2007




fonte:G1, jornal O Público, site oficial da Presidência da República Portuguesa.

Cérebro, o verdadeiro órgão sexual

Quando se trata do desejo, a evolução deixa pouco espaço para o acaso. O comportamento sexual humano não é um desempenho improvisado, concluem os biólogos, mas guiado a todo momento por programas genéticos.

O desejo entre os sexos não é uma questão de opção. Os homens heterossexuais, ao que parece, possuem circuitos neurais que os levam a procurar as mulheres; os homens gays os têm programados para procurarem outros homens. Os cérebros das mulheres podem ser organizados para selecionar homens que apresentem maior probabilidade de serem provedores a elas e seus filhos. O acordo é selado com outros programas neurais que induzem uma onda de amor romântico, seguido por uma ligação de longo prazo.



Tanto barulho, uma dança tão complexa, tudo para obter sucesso na única coisa simples com que a evolução se importa, que é a condução do maior número de crianças à idade adulta. O desejo pode parecer o centro do comportamento sexual humano, mas é apenas o ato central de um longo drama cujo roteiro está escrito basicamente nos genes.

No útero, o corpo do feto em desenvolvimento é naturalmente feminino e se torna masculino se o gene que determina o gênero masculino, conhecido como SRY, estiver presente. Este gene dominante, a única e mais orgulhosa posse do cromossomo Y, muda o tecido reprodutivo de seu destino de ovário e o transforma em testículo. Os hormônios dos testículos, principalmente a testosterona, então esculpem o corpo na forma masculina.

Na cena seguinte, a puberdade, os sistemas reprodutivos são preparados para a ação pelo cérebro. Apesar de ser uma fantástica máquina elétrica, o cérebro também pode se comportar como uma humilde glândula. No hipotálamo, uma região na base central do cérebro, se encontra um aglomerado de cerca de 2 mil neurônios que dão início à puberdade quando começam a secretar pulsos do hormônio liberador de gonadotropina, que dispara um efeito cascata de outros hormônios.

O gatilho que dispara estes hormônios ainda é desconhecido, mas provavelmente o cérebro monitora os sinais internos para saber quando o corpo está pronto para e reprodução e os indícios externos sobre se as circunstâncias são propícias para produção do desejo.

Vários avanços na última década destacaram o fato bizarro de que o cérebro é um órgão sexual pleno, com os dois sexos tendo versões profundamente diferentes dele. Isto é obra da testosterona, que masculiniza o cérebro amplamente como faz com o restante do corpo.

É um conceito errôneo pensar nas diferenças entre os cérebros de homens e mulheres como sendo pequenas, erráticas ou encontradas apenas em poucos casos extremos, escreveu Larry Cahill, da Universidade da Califórnia, em Irvine, no ano passado na "Nature Reviews Neuroscience". Amplas regiões do córtex, a camada externa do cérebro que realiza grande parte de seu processamento de alto nível, são mais espessas nas mulheres. O hipocampo, onde as memórias iniciais são formadas, ocupa uma fração maior do cérebro feminino.

Técnicas de obtenção de imagens do cérebro começaram a mostrar que homens e mulheres usam seus cérebros de formas diferentes mesmo quando realizam as mesmas coisas. No caso da amídala, um par de órgãos que ajuda a priorizar as memórias de acordo com sua força emocional, as mulheres usam a amídala esquerda para este fim enquanto os homens tendem a usar a direita.

Não causa surpresa o fato das versões masculinas e femininas do cérebro humano operarem em padrões distintos, apesar da alta influência da cultura. O cérebro masculino é sexualmente orientado para ver as mulheres como objetos de desejo. A evidência mais direta vem de um punhado de casos, alguns deles acidentes de circuncisão, nos quais os bebês perderam seus pênis e foram criados como mulheres. Apesar de toda indução social para o oposto, eles crescem desejando as mulheres como parceiras, não homens.

"Se você não pode fazer um homem ficar atraído por outros homens cortando fora seus pênis, quão forte pode ser qualquer efeito psicossocial?" disse J. Michael Bailey, um especialista em orientação sexual da Universidade do Noroeste.

Presumivelmente, a masculinização do cérebro molda alguns circuitos neurais que tornam as mulheres desejáveis. Se for o caso, este circuito está moldado de forma diferente nos homens gays. Em experiências nas quais são exibidas aos indivíduos fotos de homens e mulheres desejáveis, os homens heterossexuais são estimulados por mulheres, os gays por homens.

Tais experiências não mostram a mesma divisão clara entre as mulheres.
Independente das mulheres se descreverem como heterossexuais ou lésbicas, "o estimulo sexual delas parece ser relativamente indiscriminado - elas são estimuladas tanto por imagens de homens quanto mulheres", disse Bailey. "Eu nem mesmo tenho certeza de que as mulheres têm uma orientação sexual. Mas elas têm preferências sexuais. As mulheres são bastante seletivas e a maioria escolhe ter relação sexual com homens."

Bailey acredita que os sistemas para orientação sexual e estímulo fazem os homens procurarem por pessoas com as quais fazer sexo, enquanto as mulheres estão mais concentradas em aceitar ou rejeitar aqueles que desejam fazer sexo com elas.

Diferenças semelhantes entre os sexos são vistas por Marc Breedlove, um neurocientista da Universidade Estadual de Michigan. "A maioria dos homens é bastante teimosa em suas idéias sobre que sexo desejam, enquanto as mulheres parecem mais flexíveis", ele disse.

A orientação sexual, pelo menos para os homens, parece ser estabelecida antes do nascimento. "Eu acho que a maioria dos cientistas que trabalham nesta questão está convencida de que os antecedentes da orientação sexual nos homens ocorrem no início da vida, provavelmente antes do nascimento", disse Breedlove, "enquanto para as mulheres, algumas provavelmente nascem para se tornarem homossexuais, mas claramente chegam a tal escolha mais tarde na vida".

O comportamento sexual inclui muito mais do que sexo. Helen Fisher, uma antropóloga da Universidade Rutgers, argumenta que os três sistemas primários do sexo evoluíram para orientar o comportamento reprodutivo. Um é o impulso sexual que motiva as pessoas a buscarem parceiros. Um segundo é um programa para atração romântica que faz as pessoas se fixarem em parceiros específicos. O terceiro é um mecanismo para ligação em longo prazo que induz as pessoas a permanecerem juntas tempo suficiente para completarem seus deveres paternos.

O amor romântico, que em seu intenso estágio inicial "pode durar de 12 a 18 meses", é um fenômeno humano universal, escreveu Fisher no ano passado em "The Proceedings of the Royal Society", e provavelmente é uma função integrada no cérebro. Estudos de imagens do cérebro mostram que uma área em particular do cérebro, uma associada ao sistema de recompensa, é ativada quando os pacientes contemplam uma foto da pessoa amada.

A melhor evidência para um processo de ligação em longo prazo em mamíferos vem de estudos de ratos-calunga, um pequeno roedor semelhante a um camundongo. Um hormônio chamado vasopressina, que é ativado no cérebro, leva alguns ratos-calunga a se manterem fiéis por toda a vida. As pessoas possuem o mesmo hormônio, o que sugere que um mecanismo semelhante pode funcionar nos seres humanos, apesar disto ainda não ter sido provado.

Os pesquisadores dedicaram um esforço considerável na compreensão da homossexualidade em homens e mulheres, tanto por seu interesse intrínseco quanto pela luz que pode fornecer aos canais mais comuns do desejo. Os estudos de gêmeos mostram que a homossexualidade, especialmente entre homens, é herdável, o que significa que há um componente genético nela. Mas como homens gays têm cerca de um quinto do número de filhos que homens heterossexuais têm, qualquer gene que favorece a homossexualidade deveria desaparecer rapidamente da população.

Tais genes poderiam ser retidos se os homens gays fossem protetores incomumente eficazes de seus sobrinhos e sobrinhas, o que ajudaria genes como os deles a serem transmitidos para gerações futuras. Mas os homens gays não são melhores tios do que os homens heterossexuais, segundo um estudo de Bailey.

Assim, isto deixa a possibilidade de que ser gay é um subproduto de um gene que persiste porque amplia a fertilidade em outros membros da família. Alguns estudos revelaram que os homens gays têm mais parentes do que os homens heterossexuais, particularmente pelo lado materno.

Mas Bailey acredita que o efeito, se real, seria mais claro. "A homossexualidade masculina é mal adaptada evolutivamente", ele disse, notando que a frase significa apenas que os genes que favorecem a homossexualidade não podem ser favorecidos pela evolução se menos de tais genes chegarem à próxima geração.

Uma pista um pouco mais direta sobre a origem da homossexualidade é o efeito ordem de nascimento fraternal. Dois pesquisadores canadenses, Ray Blanchard e Anthony F. Bogaert, mostraram que ter irmãos mais velhos aumenta substancialmente as chances de que um homem será gay. Irmãs mais velhas não contam, nem importa se os irmãos estão na casa quando o menino é criado.

O fato sugere que a homossexualidade masculina nestes casos é causada por algum evento no útero, como uma "resposta imunológica maternal a gravidezes masculinas sucessivas", escreveu Bogaert no ano passado na "Proceedings of the National Academy of Sciences". Anticorpos antimasculinos poderiam talvez interferir com a masculinização do cérebro que ocorre antes do nascimento, apesar de tais anticorpos ainda não terem sido detectados.

O efeito ordem de nascimento fraternal é bastante substancial. Cerca de 15% dos homens gays podem atribuir sua homossexualidade a ele, com base na suposição de que entre 1% e 4% dos homens são gays, e cada irmão mais velho adicional aumenta as chances de atração pelo mesmo sexo em 33%.

O efeito apóia a idéia de que os níveis de circulação de testosterona antes do nascimento são críticos na determinação da orientação sexual. Mas a testosterona no feto não pode ser medida, e na idade adulta, homens gays e homossexuais apresentam os mesmos níveis do hormônio, o que não dá pista de exposição pré-natal. Assim a hipótese, apesar de plausível, ainda não foi provada.

Um recente avanço significativo na compreensão da base da sexualidade e desejo foi a descoberta de que os genes podem ter um efeito direto na diferenciação sexual do cérebro. Os pesquisadores há muito presumiam que hormônios esteróides como a testosterona e o estrógeno realizam todo o trabalho pesado da moldagem dos cérebros masculino e feminino. Mas Arthur Arnold, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (Ucla), descobriu que os neurônios masculinos e femininos se comportam de forma um tanto diferente quando mantidos em vidros de laboratório. E no ano passado, Eric Vilain, também da Ucla, fez a descoberta surpreendente de que o gene SRY é ativo em certas células do cérebro, pelo menos em camundongos. Seu papel no cérebro é bem diferente de suas atividades relacionadas à testosterona e os neurônios das mulheres presumidamente realizam tal papel de outras formas.

Acontece que um número incomumente alto de genes ligados ao cérebro estão situados no cromossomo X. O repentino despontar de cromossomos X e Y na função cerebral chamou a atenção de biólogos evolutivos. Como os homens possuem apenas um cromossomo X, a seleção natural pode promover aceleradamente qualquer mutação vantajosa que ocorra em um dos genes X.
Assim, se aquelas mulheres seletivas estiverem à procura de inteligência em um parceiro masculino potencial, isto poderia explicar por que tantos genes relacionados ao cérebro acabam no X.

"É popular entre os acadêmicos do sexo masculino dizer que as mulheres preferem os sujeitos mais inteligentes", disse Arnold. "Tais genes serão rapidamente selecionados nos homens porque novas mutações benéficas se tornarão rapidamente aparentes."

Várias conseqüências profundas derivam do fato dos homens disporem de apenas uma cópia de muitos genes cerebrais ligados a X e as mulheres duas. Uma é que muitas doenças neurológicas são mais comuns em homens porque é menor a probabilidade de que as mulheres sofram mutações em ambas as cópias de um gene.

Outra é que os homens, com um grupo, "terão mais fenótipos variáveis de cérebro", escreveu Arnold, porque a segunda cópia de cada gene das mulheres refreia os efeitos das mutações que surgem no outro.

A maior variação nos homens significa que apesar do QI médio ser idêntico entre homens e mulheres, há uma média mais baixa entre os homens e uma maior em ambos os extremos. O cuidado das mulheres em selecionar homens, combinado com a rápida seleção possibilitada pela falta de cópia reserva entre os homens dos genes ligados a X, pode ter levado à divergência entre os cérebros masculino e feminino. Os mesmos fatores podem explicar, acreditam alguns pesquisadores, por que o cérebro humano triplicou em volume nos últimos 2,5 milhões de anos.

Quem pode duvidar? É, na verdade, o desejo que faz o mundo girar.

n.r.: Meninas! Sigam o que seu cérebro diz!


fonte:New York Times

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A Páscoa cristã



A Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem) é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da cristandade. Na Páscoa, os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo (Vitória sobre a morte) depois da sua morte por crucificação (na Sexta-Feira Santa) que terá ocorrido nesta altura do ano em 30 ou 33 d.C. O termo pode referir-se também ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses a partir desta data até ao Pentecostes.

Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pessach, data em que os judeus comemoram a a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito.

A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa cristã está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de "passagem", comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.

A última ceia partilhada por Jesus e pelos discípulos é considerada, geralmente, um "seder do Pessach" – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos atermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pesach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco antes desta festividade.

Os termos "Easter" (Ishtar) e "Ostern" (em inglês e alemão, respectivamente) parecem não ter qualquer relação etimológica com o Pessach(Páscoa). As hipóteses mais aceitas relacionam os termos com Eostremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat, de acordo com o historiador inglês do século VII, Beda.

Origem dos símbolos da Páscoa

É sugerido por alguns historiadores que muitos dos atuais símbolos ligados à Páscoa (especialmente os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da Páscoa) são resquícios culturais da festividade de primavera em honra de Eostre que, depois, foram assimilados às celebrações cristãs do Pessach, depois da cristianização dos pagãos germânicos. Contudo, já os persas, romanos, judeus e armênios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos por esta época.

Ishtar tinha alguns rituais de caráter sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais.

Um ritual importante ocorria no equinócio da primavera, onde os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam e enterravam em tocas nos campos. Este ritual foi adaptado pela Igreja Católica no principio do 1º milênio depois de Cristo, fundindo-a com outra festa popular da altura chamada de Páscoa. Mesmo assim, o ritual da decoração dos ovos de Páscoa mantém-se um pouco por todo o mundo nesta festa, quando ocorre o equinócio da primavera.

O ovo de Páscoa

A tradição de dar ovos tem milênios, mas agradeçam aos confeiteiros franceses por comerem nos dias atuais ovos feitos de chocolate. O hábito de dar ovos de verdade (de galinha) vem da tradição pagã.

Na Ucrânia, por exemplo, centenas de anos antes de era cristã já se trocavam ovos pintados com motivos de natureza - lá eles têm até nome, pêssanka - em celebração à chegada da primavera.

Os chineses e os povos do Mediterrâneo também tinham como hábito dar ovos uns aos outros para comemorar a estação do ano. Para deixá-los coloridos, cozinhavam-nos com beterrabas.

Mas os ovos não eram para ser comidos. Eram apenas um presente que simbolizava o início da vida. A tradição de homenagear essa estação do ano continuou durante a Idade Média entre os povos pagãos da Europa.

Eles celebravam Ostera, a deusa da primavera, simbolizada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, representante da fertilidade, pulando alegremente ao redor de seus pés.

Os cristãos se apropriaram da imagem do ovo para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus - o Concílio de Nicéia, realizado em 325, estabeleceu o culto à data. Na época, pintavam os ovos (geralmente de galinha, gansa ou codorna) com imagens de figuras religiosas, como o próprio Jesus e sua mãe, Maria.

Na Inglaterra do século X, os ovos ficaram ainda mais sofisticados. O rei Eduardo I (900-924) costumava presentear a realeza e seus súditos com ovos banhados em ouro ou decorados com pedras preciosas na Páscoa. Não é difícil imaginar por que esse hábito não teve muito futuro.

Foram necessários mais 800 anos para que, no século XVIII, confeiteiros franceses tivessem a idéia de fazer os ovos com chocolate - iguaria que aparecera apenas dois séculos antes na Europa, vinda da então recém-descoberta América. Surgido por volta de 1500 a.C., na região do golfo do México, o chocolate era considerado sagrado pelas civilizações Maias e Astecas. A imagem do coelho apareceu na mesma época, associada à criação por causa de sua grande prole.




fonte:Wikipédia

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Meu mundo por chocolate

Eles se autodefinem chocólatras e reconhecem a dependência


Na época da Páscoa geralmente as pessoas aproveitam para saciar a vontade de comer chocolate e se esbaldam comprando ovos, caixas de bombom e barras de chocolate. Mas para um grupo específico a tentação vem em qualquer dia, a qualquer hora. São os chamados “chocólatras”, viciados na iguaria, seja pelo prazer que ela proporciona, seja até mesmo pelos bons momentos a que ela remete.

A publicitária Patrícia Losano Khouri, de 31 anos, fez até promessa como demonstração de amor à iguaria. Ela come chocolate 325 dias por ano. Os outros 40 dias são de pura abstinência. “Não como chocolate durante a Quaresma (período entre o carnaval e a Páscoa). É um sacrifício que faço, uma penitência”, disse.

Como toda promessa, o cumprimento é feito a duras penas. “Estou sonhando com o domingo de Páscoa. Você sente o gosto do chocolate. É desesperador”, contou ela, que disse não tirar da cabeça a imagem de um outdoor que viu na rua com diferentes e deliciosos ovos de Páscoa.

A estudante Hanna Goldenstein, de 21 anos, não quis esperar o feriado. “Já comi um ovo”, admitiu ela, que recorre ao doce em momentos de aflição. “Quando estou nervosa, como chocolate. Ele me dá uma sensação de calmaria, me deixa relaxada”.

O privilégio não é só de Hanna. O psiquiatra Arthur Kaufman explicou que o chocolate está ligado a sensações de bem-estar. “Comer chocolate estimula a produção da endorfina, que dá a sensação de prazer, e da serotonina, neurotransmissor responsável pelo humor”, disse ele, que trabalha no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC).

O médico explicou que, como pessoas depressivas têm a taxa de serotonina baixa, acabam usando o chocolate como antidepressivo. Até porque, na maioria dos casos, o doce traz boas lembranças. “O chocolate está presente em todos os melhores momentos da vida. Remete a festas, bolo, brigadeiro”, disse Kaufman.

Se a intensidade de alegria de uma pessoa estivesse condicionada à quantidade de chocolate que ela come, Kaufman não teria ouvido histórias de gente que sofre por gostar tanto da sobremesa.

“Alguns pacientes diziam que era tortura. Uma professora mudava seu caminho de rotina para não encontrar pessoas e dividir o chocolate que comia. E uma avó contava que escondia o chocolate dos netos quando estava com eles”, disse o psiquiatra, que coordena o Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do HC.

Apesar disso, os especialistas concordam que não existe um tratamento específico para quem se diz chocólatra, como existe com os dependentes químicos. “Se tivesse algum tratamento, seria com o uso de antidepressivos”, disse Kaufman.

Para o terapeuta comportamental Florival Scheroki, no entanto, é um exagero dizer que as pessoas são viciadas em chocolate. “Ele não tem substâncias que gerem crise de abstinência, mas aquelas que comem todo dia e cortam de repente sentem desconforto”.

Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Scheroki explicou que as pessoas são incentivadas desde pequenas a gostar do doce. “O ambiente é importante no comportamento alimentar. Comer chocolate não remete a uma atitude punitiva”.

Para a atriz Daniela de Souza Lobo Stirbulov, de 20 anos, a vontade de comer o doce derivado do cacau é algo "compulsivo". "Como pratico esportes, posso comer bastante. Como chocolate todo dia. Dependendo da fase, se estou de TPM (tensão pré-menstrual), como até mais."

Esse "mais" da jovem pode ser devorar uma caixa de bombom ou um ovo de Páscoa inteiro sozinha. "Na Páscoa, piora. Abro os ovos e não páro de comer", admitiu. É consenso entre os chocólatras que a melhor hora para degustar um chocolate é qualquer hora.

A paixão pela iguaria fez com que a paulistana Cristiane Spezzaferro criasse uma comunidade no site de relacionamentos Orkut chamada “Associação dos Chocólatras Anônimos”, que tem 2.013 membros. Existem pelo menos outras 100 comunidades semelhantes.

A relação dela com o doce começou na cozinha de casa. “Minha mãe faz ovo de Páscoa. Sempre tive barras para comer. Não tenho hora. Se pudesse, comia o dia inteiro”, disse ela, cujo consumo diário é de seis bombons.

Consumo um tanto exagerado na opinião da nutricionista Anita Sachs, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para ela, o máximo recomendado é comer 50g diariamente. “Se a pessoa não precisa controlar o peso”, alerta.

De acordo com Anita, 100g de chocolate correspondem a 550 calorias, o mesmo presente em uma refeição com arroz, feijão, carne, hortaliça refogada e um copo de suco.

Para quem quer curtir a Páscoa sem culpa, a nutricionista dá uma dica: “Antes de comer chocolate, a pessoa pode tomar três copos de água para se sentir saciada”. Quem não abre mão de abusar dos ovos no feriado, pode compensar com dieta ou exercícios físicos. “O chocolate é altamente calórico”. Tente convencer um chocólatra disso.


n.r.: eu faço aqui um mea culpa na boa, mas sou uma chocólatra com algum auto-controle, que quer dizer que agüento um mês direto sem chocolate. Mas a Páscoa é A perdição, venho ganhando ovinhos e bombonzinhos de amigas e um ovo pré-Páscoa que venho consumindo há algumas semanas. Tenho certeza que Deus perdoa!


fonte:G1

Festival de Montreux

O legendário Festival de Jazz de Montreux põe fim a uma época da história da música. A decisão de fechar definitivamente a sala do mítico Cassino de Montreux, assim como a de reduzir em 35% as apresentações, anuncia "novos tempos" depois de 40 anos em que soube conquistar o apelido de Olimpo dos Festivais.


O que têm em comum Tom Jobim, Astor Piazzolla, Tori Amos, Ornette Coleman, Elis Regina, Bill Evans, Paco de Lucía e Herbie Hancock, além de um talento musical incomum? Todos eles passaram em algum momento de suas carreiras pelo célebre palco do Cassino Barrière de Montreux, na Suíça, ponto de encontro dos amantes da melhor música popular das últimas décadas.

O pequeno auditório às margens do lago Leman viu passar alguns encontros musicais antológicos em suas quatro décadas. Mas a implacável lei do mercado, a feroz concorrência entre festivais europeus e vários anos de números vermelhos parecem ter conseguido acabar com uma das salas mais emblemáticas da cena mundial.

Provavelmente os leitores mais avisados e veteranos lembram da origem de um dos hinos históricos do rock: "Smoke on the Water", dos britânicos Deep Purple. Essa canção nasceu como lembrança da noite de 4 de dezembro de 1971, quando o antigo Cassino de Montreux queimou até os alicerces, sem que por sorte fosse necessário lamentar vítimas. As primeiras linhas da canção dizem assim: "Todos nós viemos a Montreux...", para continuar falando da "fumaça sobre a água e o fogo no céu", além de "funky Claude" e sua luta contra as chamas.

"Funky Claude" não é outro senão Claude Nobs, fundador e presidente do Montreux Jazz Festival. Nobs, que é considerado por seus compatriotas "o suíço vivo que mais fez pela promoção de seu país no exterior", anunciou à imprensa as novas medidas que afetarão a partir do verão deste ano a menina de seus olhos. Isto é: o fechamento do Cassino, a redução das apresentações entre 35% e 40%, a centralização de todos os concertos na Sala Miles Davis e Auditório Igor Stravinski do Palácio dos Congressos, o que implicará uma economia próxima de 400 mil euros, e o abandono do "jazz", a moeda oficial do festival há anos.

O "jazz" era uma das numerosas curiosidades desse festival quase incomensurável. Dentro do recinto a única moeda válida, tanto para comer uma salsicha como para comprar uma camiseta, era o "jazz". Os visitantes tinham de adquiri-la trocando em caixas habilitadas para isso o valor de um franco suíço - 60 centavos de euro - por "jazz". "Um verdadeiro estorvo", comentou a este jornal Mathieu Jaton, secretário-geral da Fundação do Festival. Jaton mostra-se otimista diante da nova etapa. "Creio que as mudanças são positivas, pois com a passagem do tempo percebemos que havia problemas demais e que o público era quase obrigado a escolher entre dois festivais paralelos", explica. Na opinião dele, "a oferta era tão enorme que confundia o público".



No fundo ele tem razão, já que muitas vezes era uma autêntica dor de cabeça ser obrigado a decidir em uma mesma noite entre Sting, Black Eyed Peas e Juliette Gréco, ou entre Simply Red, Tracy Chapman e Diana Krall... todos na mesma hora. Um verdadeiro martírio para os amantes da música. Mathieu Jaton continua explicando as mudanças: "Passaremos de 120 concertos em três salas para 80 em duas salas, o que sem dúvida facilitará muito a vida do público".

Já no último verão, Claude Nobs comentou irritado que "ver-se reduzido a vender salsichas aos 70 anos para arredondar os orçamentos é intolerável".

De fato, as bebidas e comidas rápidas são uma das principais fontes de renda do festival, e seus custos vão diminuir, já que as queixas sobre os preços eram comuns. Diante do preço de algumas apresentações extraordinárias, como a de Sting no verão passado, a 200 euros, Montreux nunca foi considerado um evento popular.

Para o próximo verão, a Jaton já anuncia "surpresas como Van Morrison Project, os Beastie Boys, o novo projeto de Medeski, Martin & Scofield ou a eletrônica de The Good, The Bad & The Queen". O orçamento do festival para 2007 será de 11 milhões de euros, distribuídos por duas semanas. Sem dúvida, o sonho de muitos promotores de espetáculos.


fonte:El País

terça-feira, 3 de abril de 2007

Pessach - "A festa da liberdade"

"A Páscoa judaica"


Este ano o dia 14 de Nissan do calendário judaico cai no dia 02 de abril. A partir da noite deste dia até o dia dez de abril , os judeus de todo o mundo comemoram a festa de Pessach, conhecida como "a Páscoa judaica". Segundo a história descrita no livro de Êxodos, Pessach é a festa da liberdade, pois é realizada para comemorar a saída do povo judeu do Egito, onde eram escravos, para a terra de Israel.

A história de Pessach

A bíblia conta que os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó, vieram desde a terra de Israel para habitar no Egito. Após algumas gerações o povo foi escravizado, mal-tratado e, mesmo passando fome, foi forçado a construir cidades para o faraó Ramsés.

Após 210 anos de escravidão, Deus revelou a Moisés que era Sua intenção libertar o povo do Egito e guiá-los até Israel. E que era função de Moisés liderar o povo. Então, segundo a bíblia, ocorreram vários milagres: Deus lançou as 10 pragas sobre o Egito. Após cada praga Moisés rogava ao faraó que libertasse o povo, mas, como este ainda se recusava, Deus lançava uma nova praga.

Depois das pragas, o povo finalmente saiu do Egito, porém o faraó mudou de idéia e mandou perseguir o povo de Israel, até encurralá-lo frente ao Mar Vermelho. Outro milagre ocorreu: O mar se abriu para os israelitas e se fechou para os egípcios, afogando grande parte de seu exército.

A festa de Pessach comemora a saída da escravidão para a liberdade, da escuridão para a luz e tem como objetivos louvar a Deus pelos milagres que fez pelo povo de Israel e perpetuar a história para que todas as gerações futuras se lembrem de que foram, um dia, escravos no Egito. E assim, com esta lembrança, todos tenham em mente a eterna lição de saber como tratar àqueles que estão em dificuldade e entender melhor o valor da liberdade.

As tradições de Pessach

Durante os sete dias da festa, os judeus se abstêm de comer pão ou qualquer alimento fermentado. Isto porque quando os judeus saíram as pressas da escravidão no Egito, não tiveram tempo de fermentar e assar o pão que levaram consigo para o caminho. Um dos preceitos de Pessach é que todo judeu deve visualizar a si mesmo como se ele mesmo fosse um escravo no Egito e estivesse saindo da escravidão pelas mãos de Deus. Por isso, durante esses sete dias nenhum pão é ingerido, somente um pão ázimo ou "pão da pobreza", chamado em hebraico de Matzá, que lembra uma bolacha de água e sal. Assim, essa simbologia ajuda as pessoas a recordarem durante os sete dias da festa que elas foram escravas no Egito e que Deus as tirou de lá.

Na primeira noite de Pessach é realizado um jantar especial chamado Seder de Pessach. Nesse jantar se abre um fórum para que crianças e adultos façam perguntas sobre a festa e sua história. Durante o jantar é lida a Hagadá de Pessach, que conta toda a história da festa e vem para responder a muitas das perguntas colocadas antes sobre o porquê da comemoração. O costume é que a criança mais jovem da família comece fazendo as perguntas para que estas sejam respondidas uma a uma durante o jantar.

O seder de Pessach é encerrado tradicionalmente com votos de que Deus dê aos judeus uma nova liberdade, assim como aquela que deu no Egito, e que esta liberdade seja eterna.





fonte:Amai-vos
foto: Revista Manasha

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