quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Revolução cultural

Tropicália - O Movimento que Não Terminou


O ano é 1967. O encontro mítico: Hélio Oiticica e Caetano Veloso. Oiticica era um agente provocador das artes brasileiras e Caetano, um cantor jovem disposto a pôr suas idéias em circulação. Em abril, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro recebia a exposição Nova Objetividade Brasileira, e nela Oiticica apresentava a instalação Tropicália, um ambiente em forma de labirinto com plantas, areia, araras, um aparelho de TV e capas de Parangolé (um tipo de obra de arte feita para ser usada como roupa). Depois de "Tropicália, a obra", surge "Tropicália, a música".

Caetano Veloso com um parangolé de Hélio Oiticica


"Ouvi primeiro o nome Tropicália, sugerido como título para minha canção, do cineasta Luís Carlos Barreto, que me ouviu cantá-la em São Paulo e se lembrou do trabalho de um tal Hélio Oiticica. Resisti a pôr em minha música o nome da obra de um cara que eu nem conhecia", lembra Caetano Veloso. Depois da canção, "Tropicália, o disco". Lançado em 1968, o LP Tropicália: ou Panis et Circenses reúne Gilberto Gil, Caetano, Tom Zé, Gal Costa, Os Mutantes e Nara Leão. Tropicália foi ainda a moda colorida, um jeito feliz de namorar e um programa de domingo pela televisão. Surgia, assim, "Tropicália, o movimento".

"Tropicália", de Hélio Oiticica, durante exibição na Whitechapel Gallery - Londres, 19


A história continua, 40 anos depois, com "Tropicália, a exposição". Tropicália Uma Revolução na Cultura Brasileira (1967-1972) chega ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (o mesmo onde Hélio Oiticica, morto em 1980, aos 43 anos, exibiu sua obra fundadora) neste mês, após ter passado pelos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra. A exposição foi elaborada pelo Museu de Arte Contemporânea de Chicago e o Museu do Bronx, de Nova York, na esteira da redescoberta do trabalho e do pensamento de Oiticica a partir de meados da década passada.

Mutantes, Gal Costa, Jorge Ben, Caetano e Gil no programa "Divino, Maravilhoso",1968


Os tropicalistas brasileiros conseguiram algo raro e poderoso na cultura: uma inesperada trapaça com o tempo. Hoje, a Tropicália interessa ao mundo. Do mesmo modo que Marcel Duchamp faz mais sentido para a arte agora do que Pablo Picasso (com sua concepção de que uma idéia é já uma criação artística), o Tropicalismo ganha neste início de século um caráter mundial.

Caetano Veloso e Os Mutantes (ao fundo, Rita Lee) na lendária boate Sucata, Rio de Janeiro


Num mundo cada vez mais multicultural e interativo, a colagem de gêneros e a participação do espectador preconizadas pela Tropicália fazem total sentido. Assim, para o curador da exposição, o argentino Carlos Basualdo, o Tropicalismo é algo que continua e oferece várias possibilidades. Por isso há na mostra o consagrado e o novo, e assim os brasileiros Oiticica e Lygia Clark estão confortáveis ao lado da artista contemporânea francesa Dominique Gonzalez-Foerster. E há também uma aproximação entre Gilberto Gil e Caetano Veloso com estrelas jovens da música pop atual, como o norte-americano Beck e a banda inglesa High Llamas.

Dina Sfat e Grande Otelo em "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade


A exposição Tropicália - O Movimento que Não Terminou estará no MAM-Rio até o dia 30 de setembro



fonte:UOL e Bravo! Online

0 comentários:

Ocorreu um erro neste gadget
Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.