quinta-feira, 8 de março de 2007

O Dia Internacional da Mulher

Nós, Mulheres


Além de comemorarmos, que tal pensarmos a respeito deste dia 8 de março? Este dia foi consagrado à mulher, pela ONU, em 1975, para representar um marco no movimento feminino para adquirir direitos iguais ou semelhantes ao dos homens nos planos político, jurídico, trabalhista e civil. Vale a pena aproveitar para relembrar o papel da mulher na sociedade, tomando algumas figuras femininas famosas como exemplo desde a Antigüidade aos tempos atuais.

Sistemas matriarcais podem ter existido na Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C. a 700 a.C.), em Micenas ou Creta. No entanto, nas antigas sociedades mediterrâneas mais conhecidas, como a da Grécia clássica (séculos 5 e 4 a.C.) ou as do período helenístico (séculos 3 a 1 a.C.), a mulher vivia uma condição legal limitada e sem direitos políticos. Não era uma situação uniforme: em algumas cidades (pólis) gregas ou do Egito, o sexo feminino tinha certos direitos de propriedade ou de igualdade legal.

Aspásia, esposa do estadista democrático ateniense Péricles (séc. 5 a.C.), celebrizou-se como mulher de cultura, respeitada no círculo filosófico de Sócrates. Além disso, a comédia "Lisístrata", de Aristófanes, retrata as mulheres de Atenas num papel paradoxalmente ativo. Para acabar a guerra contra Esparta, Lisístrata comanda uma greve de sexo, que - pondo os homens diante do dilema combater ou transar - obriga os atenienses a pôr fim às hostilidades. Trata-se de ficção, sem dúvida, mas que elogia a sensatez das mulheres e sugere que elas, melhor do que os homens, poderiam administrar as questões políticas da humanidade.

Também não se pode deixar de mencionar Agripina (15-59 d.C), mulher do imperador Cláudio e mãe de Nero, que também governou Roma e exerceu papel político até ser assassinada a mando do filho. Notamos, porém, que o poder político das mulheres romanas era exercido indiretamente, por meio de seus parentes homens, e que tanto em Roma como na Grécia, quando se fala em liberdade para as mulheres, a referência é às classes altas ou médias.

Mas datam da baixa Idade Média as primeiras idéias feministas. Christine de Pisan (1364-1430) foi a primeira escritora profissional francesa, autora de poemas e de tratados de política e de filosofia. Sua erudição, segundo consta, ultrapassa à dos homens que lhe foram contemporâneos em seu país. Sua obra prima intitula-se significativamente "Cidade das Damas", e fala da igualdade natural entre os sexos, além de registrar vidas femininas exemplares. Além disso, não por acaso, Pisan escreveu também uma biografia de Joana D'Arc (1412-1431), a padroeira da França e heroína da Guerra dos 100 anos.

O retrocesso da condição social da mulher surge com o Renascimento, que teve restrito seu acesso aos estudos e ao exercício de diversos ofícios e profissões. O mercantilismo confirma o homem como protagonista da história e devolve às damas ao recesso do lar. Mas não se pode deixar de mencionar figuras femininas incríveis, como Lucrecia Bórgia (1480-1519), filha do papa Alexandre 6º., uma legendária "mulher fatal" que aliou beleza e poder de sedução para tornar-se instrumento da política de seu pai e de seu irmão.

É o também caso de Catarina de Médici (1519-1589), originária da poderosa família florentina. Ela se tornou rainha da França, ao se casar com o duque de Orléans (futuro rei Henrique 2º.), e exerceu a chefia de Estado, como regente, de 1560 a 1574, com arbitrariedade e despotismo. Ao mesmo tempo, edificou em Paris o palácio das Tulherias, ampliou o acervo da biblioteca parisiense, ordenou a ampliação do Louvre e contribuiu para o engrandecimento da cidade.

A partir do século 18, com o Iluminismo surgindo e a Revolução Francesa surge a possibilidade de reinvindicarmos os direitos que havíamos perdido em outros séculos. Datam dessa época as primeiras obras de caráter feminista, escritas por mulheres como as inglesas Mary Wortley Montagu (1689-1762) e Mary Wollstonecraft (1759-1797). Esta última escreveu o livro "Em Defesa dos Direitos das Mulheres" (além de - só por curiosidade - ser a mãe de Mary Shelley, a autora de "Frankenstein").

Foi no contexto da Revolução Industrial, quando o número de mulheres empregadas aumentou significativamente e com as ideologias socialistas se consolidando que o feminismo se fortificou tendo como aliado o movimento operário. Neste contexto, realizou-se a primeira convenção dos direitos da mulher em Seneca Falls, Nova York em 1848.

Também em Nova York, em 1857, aconteceu o movimento grevista feminino que, reprimido pela polícia, resultou num incêndio que ocasionou a morte de 129 operárias, justamente no dia 8 de março. A data e o número de mortes, porém, são controversos: o incêndio teria ocorrido numa greve de 25 de março de 1911 e seriam 140 as sua vítimas (26 homens). Pelo pioneirismo, o seu dia inicial foi proposto como data comemorativa pela comunista alemã Clara Zetkin, no 2º. Congresso das Mulheres Socialistas, de 1910. Posteriormente, as duas greves se confundiram no imaginário social e o que aconteceu, de fato, a 25 de março de 1911, foi transferido para o dia 8 do mesmo mês várias décadas antes.

E séculos passam e a luta pela igualdade continua como na virada dos séculos 19 e 20, que se estendeu ao longo de todo o século passado, atingindo seu ápice na década de 1960, que foi marcada por uma ampla revolução no âmbito dos costumes. São dessa época movimentos femininos como o NOW - National Organization of Women, comandado pela norte-americana Betty Friedan, e obras como "O Segundo Sexo", da filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), que demonstra que a hierarquia entre os sexos não é uma fatalidade biológica, mas uma construção social.

E em pleno século 21, continuamos lutando pela igualdade e dignidade, seja em salários iguais para homens e mulheres que devem ser conquistados pela competência individual e não pelo sexo e o direito em decidirmos sobre a nossa vida e sobre nosso corpo. Não queremos sofrer violência por parte dos pais, namorados e maridos e queremos o direito de refazermos nossa vida após o divórcio. Acho que mais do que comemorarmos, precisamos continuar lutando e exigindo o direito de sermos cidadãs como é o direito - já conquistado - de todo o indivíduo do sexo masculino.

E como o dia de hoje é nosso porque somos MA-RA-VI-LHO-SAS e temos O PO-DER, embora algumas não se dêem conta disso, o menino abaixo é o nosso sonho de consumo. E merecido! YEAH!!!








n.r.:MEEENGOOOOOO, MEEEEEENGOOOO, MEEEEEEENGO...


fonte:UOL, Wikipédia

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