sexta-feira, 30 de junho de 2006

Vudu Argentino

Desde o início do Mundial, estavam vendendo na Alemanha bonequinhos para a prática de Vudu - significa espetar um bonequinho de pano representando o seu maior inimigo, o objetivo é vê-lo aniquilado. Esses tais bonecos estavam à venda vestidos com o uniforme de todas as seleções que participam (e participaram) deste Mundial. E foi aí que um passarinho me contou que desde ontem não se achava um bonequinho sequer com o uniforme da Argentina. Será?!

E o Vudu no bonequinho brasileiro deu resultado ao contrário quando pensaram no Fenômeno. O rapaz acabou perdendo 4 quilos - e para quem não estava gordo é quase virar um atleta de maratona. As espetadelas devem ter atingido pontos estratégicos usados para emagrecimento na acunpuntura. Minha fonte pediu segredo. Pedir segredo é o mesmo que dizer: "espalha por aí!!!"

Amanhã, que venham a Inglaterra e a França!!!





fonte: pardais alemães

Comentário 1 dia após o jogo: e não é que a França veio mesmo, e o Brasil não a viu? Como diz meu compositor preferido, o Chico: "Quem te viu, quem te vê. Quem não a conhece não pode mais ver pra crer, quem jamais esquece não pode reconhecer."

Allez les vieux! Allez les bleus! Et pour nous: adieu!

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Descaso com o patrimônio e a memória do Rio de Janeiro

Memória Nacional

Augusto César Malta de Campos, mais conhecido como Augusto Malta (1864-1957), nasceu em 14 de maio de 1864 em Mata Grande, Alagoas e com 24 anos veio para o Rio de Janeiro onde teve várias profissões. Aos 36 anos tornou-se fotógrafo amador. Apresentado ao prefeito Pereira Passos, acabou sendo nomeado fotógrafo oficial da Prefeitura do então Distrito Federal (Rio de Janeiro).

De 1903 a 1936, documentou um período de notáveis transformações urbanísticas e arquitetônicas na cidade, acompanhando as grandes remodelações do Rio de Janeiro de seu tempo, como o desmonte do Morro do Castelo, a abertura da Av. Central, a Exposição Nacional de 1908 e a Exposição Internacional de 1922, em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil.

Malta também registrou a execução e a inauguração de obras públicas, monumentos, prédios históricos, carnavais antigos, os corsos e as batalhas de flores, flagrantes do momento, o surgimento das favelas, notícias e acontecimentos da época, em obra de inestimável valor histórico para a preservação da memória da cidade, muitas foram as cenas do dia-a-dia da nossa cidade, tendo acumulado mais de 80 mil chapas fotográficas em mais ou menos 50 anos de profissão. Compõem a Coleção, negativos de vidro e negativos panorâmicos.

Bem, esse seria o patrimônio de nosso passado, que nós, cidadãos da cidade do Rio de Janeiro tínhamos até duas semanas atrás. Mais uma vez roubaram nossos bens assim como destruíram muito da nossa memória, desta vez o roubo aconteceu no Arquivo Geral da Cidade. O fato há dias é de conhecimento público, mas a notícia que se segue saiu hoje numa das páginas do jornal O Globo:

"Arquivo não tem cópia de 300 fotos furtadas
por Cláudio Motta

Cerca de 20% das fotografias de Augusto Malta furtadas na semana passada do Arquivo Geral da Cidade podem ter sido completamente perdidas, segundo a diretora do arquivo, Beatriz Kushnir. Dos 15 mil retratos originais do acervo do fotógrafo, 1.500 foram levados. Há cópias de 80% dessas imagens, mas 300 podem ter sido apagadas da memória do Rio. Além das fotos, o Arquivo perdeu pelo menos 2.362 peças, incluindo cartões e aquarelas, descritas em sua página na internet. No total, os criminosos furtaram 3.862 itens do acervo, cuja descrição foi entregue à Polícia Federal.

- O levantamento do acervo furtado foi concluído na segunda-feira. Para isto, uma força-tarefa trabalhou de luto, superando a dor da perda. É fundamental que as pessoas saibam que esses originais têm marcações do Arquivo e isso dificulta sua venda. Ainda temos esperança de conseguir recuperar parte desse material. Apesar de todo esse trabalho, já estamos voltando a atender o público - disse Beatriz Kushnir.

Prefeito quer lista de acervo não recuperável

Além de mandar enumerar o material perdido, o prefeito Cesar Maia determinou que a lista fosse dividida entre o que pode ser recuperado, com cópias ou aquisição de outros exemplares, e o que não pode mais ser substituído. Esse levantamento, no entanto, ainda não foi concluído. Cesar Maia pediu, ainda, que a lista detalhada do patrimônio lesado fosse divulgado.

- Todas as pessoas devem saber exatamente o que foi furtado - disse Maia.

As fotografias de Malta estavam distribuídas em álbuns e, a grande maioria, em pastas do depósito. Por isto, apesar de 19 dos 27 álbuns terem sido furtados (cerca de 70% do total), foram perdidos 1.500 retratos de 15 mil, ou seja, 10% do acervo.

A Secretaria municipal das Culturas também instaurou um inquérito administrativo, mas não revelou se algum funcionário do Arquivo da Cidade foi afastado de seu cargo. A lista do acervo furtado e algumas imagens podem ser vistas em www.rio.rj.gov.br/arquivo

Delegada da PF assume investigação do furto

Segundo a Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, a responsabilidade pela investigação desse furto está desde anteontem com a delegada Isabelle Vasconcelos. Ela é da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico e ainda aguarda o resultado da perícia técnica. A polícia não informou se identificou suspeitos nem se o furto foi feito em mais de um dia.

O furto foi descoberto há dez dias, quando funcionários constataram que pelo menos uma foto desaparecera entre os dias 15 e 18 de junho, quando o arquivo esteve fechado ao público. O secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, suspeita que o crime tenha sido praticado por uma quadrilha especializada."


Como carioca tentei me sentir profundamente emocionada ao saber que a força tarefa criada para agilizar o levantamento das imagens perdidas trabalhou em luto, mas sinto muito não ter lágrimas para derramar em comunhão com essas pessoas. A cultura do meu país é tratada com descaso, não foi a primeira vez que um prédio público, guardião de obras importantíssimas foi facilmente furtado em menos de um ano. Fica sempre constatado o óbvio, a inexistência de uma infraestrutura de segurança moderna e eficiente quando temos novamente notícia de um número imenso do nosso patrimônio furtado. É ingênuo considerar um carimbo do Arquivo como dificuldade para a venda dessas imagens. Dizer isso, é considerar a segurança de Museus como o Louvre ou do Museu do Prado, uma completa idiotice por eles guardarem obras de artistas mundialmente conhecidos.

Praça 11


Passeio Público


n.r.: As fotos são do site "Alma Carioca" (www.almacarioca.com.br). Não tenho nenhuma informação se estas fotos fazem parte das que foram roubadas.


fonte: Alma Carioca e O Globo

Ai, ai (suspiro) ... Guerra de vinho

Uns com tanto, outros com tão pouco. Se eu não tivesse comprado pelo menos o Periquita em promoção, eu estaria muito chateada...


Capital da uva de Rioja (Espanha), Haro voltou a ser cenário da tradicional batalha de vinho da região, que reúne até 3 mil pessoas

foto: Abel Alonso, EFE

A Natureza faz o espetáculo!

Relâmpagos cortam o céu de Zurique, Suíça


foto: Alessandro della Bella, EFE

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Políticos, são todos iguais. Só modifica o nome do país

Congresso espanhol proíbe fumo em praias. Olé!


Diz a notícia vinda de Madri que, além dos biquínis e bronzeadores, neste verão espanhol entra na moda a praia sem fumo.

O Congresso espanhol aprovou nesta quarta-feira por unanimidade uma lei que proíbe fumar em algumas praias do país. A medida atingirá parte do litoral, de acordo com a decisão de cada município. Segundo os deputados, a lei não só defende os direitos dos não-fumantes, como favorece o meio ambiente e ainda reforça o combate ao fumo.

"Se há praias só para nudistas, tem que haver praias onde as crianças possam brincar sem ter que se esquivar de restos de cigarro", disse o porta-voz de Meio Ambiente do partido Grupo Parlamentario Catalán, Josep Guinart, autor do projeto.

Guinart é também prefeito do município de Girona, o primeiro a cumprir a lei. Por meio da Câmara local, foi decretada há dois meses a proibição de fumar em uma das praias da cidade, L’Escala, que representa 4% do litoral da cidade.

Na Espanha, é proibido fumar em transportes públicos, restaurantes e bares (exceto se houver áreas reservadas para fumantes) e em locais de trabalho.

A infração é passível de multa de 500 Euros (cerca de R$ 1,1 mil) em média, mas no caso das praias, por enquanto, não está prevista punição. "Confiamos no civismo dos fumantes na hora de respeitar a lei. Mas, se for preciso, claro que haverá multa para garantir o cumprimento desse compromisso", disse o prefeito. O governo nacional prefere evitar que os fumantes tenham que ser multados.

O porta-voz do Partido Socialista, José Blanco, disse que é "possível que apresentem alguma emenda" propondo campanhas de publicidade para conscientizar a população. Mas deve ficar para as prefeituras a decisão final sobre o que fazer com quem não cumprir a nova lei, que deve entrar em vigor no próximo mês, assim que for publicada no Diário Oficial.

De acordo com o modelo que está funcionando em L’Escala, as praias onde o fumo está proibido terão cartazes com a advertência da lei. Sobre o fundo azul, aparece o sinal de proibição com o cigarro no meio. A lei aprovada nesta quarta-feira sugere ainda aos municípios que ofereçam aos banhistas fumantes cinzeiros descartáveis nas demais praias.

Para início de conversa, acho muito equivocado dizer que a praia sem fumo entrou na moda. Entrar na moda parte de um desejo espontâneo e individual, nunca foi obrigatório e coletivo. Se alguma coisa vira moda é pela quantidade de pessoas que aos poucos vai aderindo à causa. Criar uma lei e fazer com que seja cumprida, não tem nada a ver com moda.

Os políticos espanhóis e quem diria(?), o PS espanhol, parecem estar assistindo a nossa TV Câmara com a frequência de quem acompanha a Copa do Mundo. Por aqui ninguém mais se espanta se um político tenta aprovar numa sessão que deveria ter alguma seriedade, o "dia do melhor amigo do homem, o cachorro". Mas na Europa? Não me desanimem... ou será que nossos políticos brasileiros estão infiltrados no Congresso Espanhol?

A Espanha deve estar funcionando em todos os setores da sociedade como um relógio suíço, e ainda sobra-lhes tempo de incluir na pauta de uma sessão do Congresso a tentativa, com sucesso, da aprovação de uma lei sobre a proibição do consumo do tabaco ao ar livre. Mesmo não sendo fumante, me impressiona esse tempo e o dinheiro perdido discutindo essa lei. Faltou à notícia explicar do bolso de quem sairá o custo dos cinzeiros descartáveis.


fonte: BBC Brasil

José Pedro Croft, escultor português - MAM, RJ

José Pedro Croft nasceu no Porto, Portugal, em 1957. Ao longo de 25 anos, desenvolveu uma obra que transita, sem hierarquias, entre o desenho e a escultura, o que o torna, hoje, um dos mais destacados artistas portugueses contemporâneos. Sua relação com o Brasil é antiga e continuada. Ainda jovem, representou Portugal na 19ª edição da Bienal de São Paulo (1987). Na década de 1990, realizou individual na Galeria Camargo Vilaça (1994) e integrou a mostra Navegar É Preciso, no Centro Cultural São Paulo (1998). Mais recentemente, participou da exposição Portugal Novo, apresentada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2005).



Reunindo 12 esculturas, de piso e de parede, e 12 desenhos, a exposição no MAM Rio, é a primeira oportunidade de o público carioca conhecer um conjunto expressivo de seus trabalhos. Algumas das esculturas foram selecionadas em coleções públicas e privadas portuguesas, enfatizando os principais aspectos que singularizam sua produção entre meados da década de 1990 e o início da década atual. Outras esculturas foram produzidas no Brasil, em 2005, especialmente para integrar a mostra, permitindo observar os mais recentes desdobramentos da poética do artista. Os desenhos foram também todos feitos para a exposição aqui no Brasil.



A exposição teve início no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, no Recife, e também no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte. A partir do dia 7 de julho à 3 de setembro ela poderá ser vista no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.



fonte: MAM - Rio de Janeiro

terça-feira, 27 de junho de 2006

Voltei! "Aqui é meu lugar, minha emoção é ....

grande, a saudade é maior, eu voltei para ficar...ô ô, ô ô"

Não sou muito chegada a samba, mas não resisti à associação do uso do "voltei" com o dito sambinha.

Sei também que eu disse disse que voltaria em julho, mas passei a tarde inteira até esta hora cantarolado mentalmente uma música da qual só me lembrava o refrão. Como sou teimosa, resistia à dita. Ela me venceu. E foi quando me apercebi cantarolando alto e dançando pela sala. Por ela resolvi voltar de mala e cuia, coisas de Maria...

O momento exige que eu confesse o poder imenso que qualquer música possa ter sobre mim. Vale o mesmo para poesia, mas isso já é sabido.

A gravação é dos "Mamas And The Papas". Fui longe, não fui? E me perdoem os afoitos-curiosos que não se lembram da melodia, não a colocarei aqui porque abrir uma página na web com música coloca em risco a paciência de um santo quando acontece desta custar a abrir. Ninguém merece! Portanto, curtam o que minha mente curtiu por horas hoje:



Dream a Little Dream

Stars shinning brigth above you
Night breezes seems to whisper "I love you"
Birds singing in the sycamore tree
Dream a little dream of me
Say nighty-night and kiss me
Just hold me tight and tell me you miss me
While I'm alone and blue, as can be
Dream a little dream of me
Stars fading but I linger on, dear
Still craving your kiss
I'm longing to linger till dawn, dear
Just saying this
Sweet dreams till sunbeams find you
Sweet dreams that leave all worries behind you
But in your dreams whatever they be
Dream a little dream of me



E para quem não entende nadica de nada da língua inglesa, coloco ali abaixo a tradução, que não é minha. Como ainda estou fresquinha do descanso, fica fácil ser boazinha.

Dream a Little Dream

Estrelas brilhando acima de você
As brisas da noite parecem sussurrar "Eu te amo"
Pássaros cantando no plátano
Sonhe um pequeno sonho comigo

Diga boa noite e beije-me
Apenas abrace-me apertado e diga que sentirá minha falta
Enquanto eu estou só e triste
Sonhe um pequeno sonho comigo

Estrelas desaparecendo, mas eu persisto, querido
Ainda desejando seu beijo
Eu espero persistir até o amanhecer, querido
Apenas dizendo isso

Doces sonhos até os raios de sol te encontrarem
Doces sonhos que deixam todas as preocupações para trás
Mas em seus sonhos, quaisquer que eles sejam
Sonhe um pequeno sonho comigo

Enjoy yourselves!



imagem: Jack Vettriano, "Dance me to the end of love"

sábado, 24 de junho de 2006

Apocalipse Now

Pertubaram minhas férias

Como estamos em época de Mundial posso dizer que na marca do último minuto da prorrogação alguém assumiu a candidatura a reeleição de um clube de...ops..de um país chamado Brazil, ou seria Brasil? Minha única certeza é a de que continua uma República...

E acabei me lembrando de um jargão do jornalista da "antiga" Ibraim Sued, então vou logo explodindo um "sorry, periferia" por ter de dar tão má notícia. Sim, sou naïf, crente, positiva, e todos os adjetivos afins. Sempre havia a possibilidade de um meteoro cair em algum lugar deste planeta imenso e a nossa vida mudaria num piscar de olhos.

As palavras proferidas hoje, dia de S.João (a festa deve ter sido boa no Porto), na Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), devem ter saído do fundo da alma, de alguma alma. E são estas as palavras que me refiro:

"Hoje estou aqui para dizer a vocês que o sonho não acabou e a esperança não morreu", disse o presidente a cerca de três mil convencionais e convidados do PT, entre os quais cinco pessoas escolhidas entre beneficiários de programas sociais do governo.

"Decidi submeter humildemente meu nome e meu governo ao julgamento dos brasileiros", afirmou o presidente, num discurso de uma hora e meia, ao fim do qual foi aclamado pelos convencionais.

"Vamos enfrentar ódios, preconceitos e inveja, companheiro José Alencar", disse Lula ao anunciar o vice. "E vamos demonstrar paz, humildade e muito amor ao povo brasileiro."

Lula apresentou o vice-presidente José Alencar como companheiro de chapa, mais uma vez, e recebeu apoio não oficial do PCdoB (que deve se coligar nacionalmente ao PT), do PSB e de dirigentes do PMDB, além do PTB. Lula admitiu que seu primeiro governo teve erros, mas, sem se referir diretamente ao mensalão, disse que os escândalos só foram conhecidos porque ele "combateu e puniu a corrupção como nenhum outro".

Até a noite de ontem conforme notícia do Jornal O Globo, o sr. vice-presidente da República afirmava não ter sido até o momento convidado ao cargo da vice-presidência para as próximas eleições.

Como diria Bussunda, que a esta hora está divertindo muitos de nossos amigos, parentes e conhecidos em outro plano astral : "Fala Sério!".



fonte: Reuters e O Globo

domingo, 4 de junho de 2006



Ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube

Ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza


Alice Ruiz
Auguste Rodin - "Danaide", 1889

Férias! ÔBA!!!


Estão começando as minhas férias e também tirarei férias da blogosfera. Teria mais lógica se este fosse o último post do dia, até porque é um aviso aos amigos que andam por aqui dizendo, que só voltarei no próximo mês, fica uma linda poesia da Alice Ruiz para finalizar o dia.

Este post fica alojado por aqui no meio, porque qualquer tom de despedida para mim é algo muito formal e até um pouco dolorido, mesmo sendo aqui no blog. Não tenho pretenção de ir de encontro ao ato dramático. Sou um bocadinho sensível, vem daí o gosto pela arte, pela observação, e aproveito para fazer mais uma de minhas auto-análises.

Por isso, assim meio de sopetão, resolvi pensar sobre como funciona minha noção a respeito de despedidas. Já sei que considero o fato, algo desconfortável, difícil mesmo.
Tive muitas despedidas - no sentido absoluto da palavra - na minha infância e passei a não saber lidar com elas em situações menos graves. Percebe-se logo que não sou como a maioria dos mortais, mas com isto eu lido muito bem. De cara, digo logo que ter um blog tem lá muitas vantagens.

Tenho certeza que nunca fui muito bem compreendida neste meu tipo de ação, nem por amigos nem por família. Não me despeço, é raro e o raro quer dizer, inevitável por proximidade, acontece. É muito comum eu dar notícias depois de estar distante, mesmo assim, muito tempo depois, anos talvez; puro medo de ter o poder de tornar a situação irreversível como a morte. Ou quando já estou de volta ao ponto de origem.

No primeiro caso, por saudades, até existe uma ou outra tentativa - desastrada ou frustadíssima - de "consertar" uma situação. Isso só acontece por dar-me conta que não tenho este poder mágico de transformar a vida em fato irreversível. No segundo caso, as "perdas" são menores.

Acho que fica assim mais fácil perceber que nada tem lógica enquanto tem vida, nem o fato deste post estar localizado como penúltimo e não como último. Assim como não há lógica em Nosso Guia ter se mantido - e se mantem - durante tanto tempo no cargo. Talvez tenha lógica o dólar subir e descer pela economia americana ou pelo o que Evvo e seu companheiro Huguito dizem num populismo exagerado e irritante. Pode ter lógica a Bolsa de Valores. A paranóia não tem lógica, tem explicação, para ela e sociopatias vale o rótulo.

A Vida não tem lógica, à Vida não se permitem rótulos. Sentimentos nunca vão ter lógica, ou é ou não é e não se pergunta como.


Para as queridas e os queridos, amigas e amigos que passam por aqui, beijinhos e até Julho.

Paul Brent - "Goa Poppy II"
Tandi Venter - "The Way Home"

O novo Velho Mundo

Pinturas de Alessandro Giusberti

Depois de tantas pinturas de mestres modernistas, impressionistas, expressionistas e realistas, a visão de Giusberti sobre a Europa Urbana.

"Mattinata a Parigi", óleo sobre tela, 2006

O olhar desse ser bem apurado, as cores e os lugares podem até confundir quanto à época retratada, mas os detalhes do artista não deixam dúvidas. Eu gostei.

"Il Ritardo", óleo sobre tela, 2005

A Mostra reúne 45 quadros recém-pintados pelo italiano nascido em Bolonha, em 1955.

"Camomilla 2", óleo sobre tela, 2006



Pinturas de Alessandro Giusberti
» Onde: Galeria Nova André - S.Paulo
Rua Estados Unidos, 2280
» Quando: 31/05 a 30/06
Segunda a sexta, das 10h às 20h; sábados, das 10h às 14h.
» Quanto: entrada franca
» Informações: (11) 3081-6664



fonte: UOL

sexta-feira, 2 de junho de 2006


Dois pra lá, dois pra cá


Sentindo frio em minh'alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava

São dois pra lá, dois pra cá

Meu coração traiçoeiro
Batia mais que o bongô
Tremia mais que as maracas
Descompassado de amor

Minha cabeça rodando
Rodava mais que os casais
O teu perfume gardênia
E não me pergunte mais

A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rondaram
As minhas noites vazias

No dedo um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
Band-aid no calcanhar

Eu hoje me embriagando
De whisky com guaraná
Ouvi tua voz sussurrando

São dois pra lá, dois pra cá.


João Bosco e Aldir Blanc
foto: Ralph Man


Dica: ouvir exclusivamente na voz de Elis, ouvir sua alma cantar; se puder, dance ou então, apenas feche os olhos.

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Dia Mundial da Criança - 01/06/2006

Antes de qualquer coisa, finjam que este post é do dia 1ª de junho, ontem. Não tenho crianças, mas nunca é tarde para fazer dar notícias.

Cristina, amiga blogueira do "O Farol das Artes" é quem dá a dica:

"Há várias maneiras de ajudar as crianças, pode-se contribuir na AMI, e hoje também se pode adquirir por apenas mais 3 euros, um livro de contos infantis editado pelos Médicos do Mundo, são apenas duas sugestões que vos deixo entre inúmeras maneiras de ajudarmos um pouco!"


E daí?

Árvores versus telão


"Vinte e oito árvores são retiradas do vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, para não atrapalhar a visão do telão que vai mostrar os jogos da Copa do Mundo."

Não sei se já sinto um certo enfado por determinados assuntos. Esta situação ridícula que se vê na imagem acima, pode estar acontecendo em qualquer outra cidade brasileira nesta altura em que começam os preparativos para o início da Copa do Mundo.

Cheguei a um ponto - de alguma insanidade, óbvia - em que meu pensamento automaticamente me dá respostas como se ouvisse as pessoas que resolveram por esta prática(?) solução. Destas e de muitas outras que estarão ali usufruindo das maravilhosas e grandiosas imagens no telão. Seria algo do tipo, "que é que tem?" ou "depois planta tudo de novo!". Talvez as palavras possam ser um pouco diferentes das minhas frases mentais, mas a essência é a mesma.

Neste momento, me veio a idéia que devo estar sendo histérica, ou concluir logo que esse meu péssimo estado de ânimo não tem volta. Pois é do conhecimento de qualquer um que vive neste país, que índios brasileiros vendem árvores de suas reservas, contribuindo para o desmatamento. Então, mais coisa menos coisa semelhante, não é para se estranhar, ou é?! Como é possível que eu ainda consiga ficar tão indignada com a estupidez humana?

Não sei! Só sei que ainda não consegui me acostumar.

n.r.: antes que lancem pensamentos malévolos à minha pessoa, porque a dor que sinto constantemente na coluna já é suficiente, afirmo! A-fir-mo-mo, que não tenho nada contra a Copa do Mundo, e contra o futebol. Sou a favor da prática de esportes, qualquer que ele seja. O terror acontece quando dois acontecimentos como, ano de eleições e Copa do Mundo se unem no mesmo ano. Essa união pode ser uma catástrofe apocalítica. Apenas isso...


fonte: Folha Imagem, Rogério Cassimiro

Uma noite em Londres com mestres da Bossa Nova

Ausente da mídia brasileira, a bossa nova provou que continua muito viva em Londres, o que confirma uma realidade que observo a cada show que faço como cantora radicada na Grã-Bretanha.

Nesta semana, a capital britânica foi palco de um mega-concerto que reuniu um pioneiro do movimento, João Donato, e ainda Marcos Valle, a cantora Wanda Sá e outros convidados - eu incluída*.

Exatamente. Eu, que cresci ouvindo e cantando a música desses mestres, tive a honra de participar do projeto e de cantar ao lado dos meus heróis. Nós nos apresentamos para uma platéia calorosa, de mais de 800 pessoas, no Cadogan Hall, região central. Fomos aplaudidos de pé.

A imprensa londrina saudou a vinda de Donato como sua estréia na cidade, já que em sua primeira visita, há 40 anos, o compositor e pianista veio acompanhar Astrud Gilberto.

Donato, hoje aos 72 anos, lançou recentemente no Brasil o DVD Donatural. Ele acaba de gravar um álbum com o saxofonista Paulo Moura. Na Grã-Bretanha, alguns de seus álbuns foram relançados pelo selo WhatMusic.

Conhecido por suas respostas evasivas a jornalistas, o autor de clássicos como A Paz, Amazonas, Bananeira e A Rã falou abertamente comigo sobre composições, Londres e João Gilberto. Ler entrevista no link.



fonte: BBC Brasil por Mônica Vasconcelos*

Roma em areia na Inglaterra

Festival de Esculturas de Areia de Brighton

As maravilhas da Roma Antiga foram recriadas em quase 200 obras no Festival de Esculturas de Areia de Brighton (site), cidade litorânea no sul da Inglaterra.

Sessenta escultores de várias partes do mundo trabalharam por quase duas semanas para moldar quase 10 mil toneladas de areia especial importada da Holanda. Os organizadores dizem que as esculturas são resistentes pois os grãos de areia têm o formato de dados, e não de esferas. Mas, em caso de chuva forte, são protegidas por uma tenda.


O Partenon, o Coliseu e a Coluna de Trajano estão entre os monumentos da Antigüidade esculpidos na areia. Esse tipo de escultura é uma arte que data de 4.000 anos antes de Cristo, no Egito. Gladiadores, Júlio César e o Coliseu estão entre as obras expostas na mostra.

Durante os primeiros dias da mostra, os visitantes ainda poderão ver os artistas moldando a areia. A exposição fica em cartaz de 1º de junho a 10 de setembro.

fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Prêmio Nobel de Literatura diz que leitura é para minoria

Saramago diz que leitura é para minoria e dispara críticas


O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel da Literatura, questionou a utilidade de o Estado estimular a leitura, afirmando que "voluntarismos" não valem a pena no que "sempre foi e será coisa de uma minoria".

Saramago está na lista de cem personalidades - que inclui nomes como o jogador de futebol Luís Figo e o presidente do Grupo Sonae, Belmiro de Azevedo - que aceitaram integrar a Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura, iniciativa dos ministérios portugueses da Cultura e da Educação que será apresentado ao público hoje.

Em debate na Biblioteca Municipal de Oeiras, distrito de Lisboa, Saramago afirmou ontem que não sabe o que será o Plano Nacional de Leitura, dizendo que "há dinheiro para gastar", mas que resta "esperar para ver que resultados vai ter". "Não vale a pena o voluntarismo, é inútil, ler sempre foi e sempre será coisa de uma minoria. Não vamos exigir a todo mundo a paixão pela leitura", afirmou. Ele explicou que o fato de pertencer à comissão do plano é "uma fatalidade, como as bexigas" - referindo-se à comemoração de quando recebeu o Nobel, em 1998.

"O estímulo à leitura é uma coisa estranha, não deveria ter que haver outro estímulo além da necessidade de um instrumento que permita conhecer", opinou. "Mal vão as coisas quando é preciso estimular. Ninguém precisa de estímulos para se entusiasmar com o futebol", disse, lembrando que por trás do esporte há uma "operação de propaganda fabulosa".

Instrução x educação

Segundo Saramago, atualmente se confunde a "instrução", ligada ao conhecimento, com a "educação", ligada aos valores. "Onde está a educação na escola em que os professores são agredidos, humilhados, desprezados", questionou, dizendo que eles "são os heróis do nosso tempo". No entanto, lembrou que há "professores incompetentes", que trabalham "sem vocação". E fez uma recomendação: a leitura em voz alta deve ser encorajada na sala de aula.

O Nobel da Literatura também criticou a linha de ensino que prega que a correção ortográfica não é importante. "Qualquer operário sabe que tem que ter suas ferramentas limpas e em condições de serem usadas. A língua é a ferramenta por excelência".


Entendo perfeitamente a "desconfiança" de Saramago nessa iniciativa, e estou totalmente de acordo quando diz que a leitura "é coisa de minoria", mas também acho que Saramago se confunde um pouco achando desnecessário o estímulo à leitura.

Acredito que em alguns países de Primeiro Mundo, comprar um livro para um bebê é tão natural quanto comprar um brinquedo e pelo menos aqui no Brasil, nas classes mais altas, é possível perceber que o mesmo acontece, neste caso não parece ser necessário estimular o prazer pela leitura na fase adulta. E acho ainda que se engana muito dando como exemplo o futebol, se ele dá como exemplo apenas Portugal. Lembrando que Saramago vive na Espanha.

Em Portugal, na maioria das vezes, quando o bebezinho sai da maternidade, é frequente ver o pai exibir orgulhoso a carteira de sócio de seu filho recém-nascido, inscrito no clube de sua paixão, aos amigos. A coisa vai além: compra-se o uniforme completo do time, em tamanho minúsculo - obviamente - e vestem o filhotinho tal qual miniatura de um jogador de futebol. E isto não é estímulo? Eu acho que é!

Imagine, se ao contrário, este pai comprasse um livro para a idade de seu pimpolho, um livro colorido, cheio de objetos macios e que fazem barulho - porque existe há muito tempo livros para diversas faixas de idade -, e continuasse comprando livros na mesma intensidade com que compra bolas e mais camisas e bonés e cachecóis de seu time. Isto seria um estímulo ?

Acho que sim.É perfeitamente possível conciliar a paixão pelo futebol com o gosto da leitura. "Alguns" políticos portugueses não gostam de futebol, enquanto outros não gostam que o povo leia muito, não é o caso de José Saramago, mas o que "eles" pensam, agora não tem importância nenhuma.

Pode-se aprender a gostar de coisas novas a partir de qualquer idade, não é possível gostar do que não é conhecido. É possível ser prático, sem ser utópico, tendo a consciência que nada se altera de uma hora para a outra, levará tempo. E abaixar os preços dos livros ajudaria muito também.

A continuidade é que faz com que a coisa se torne hábito, pode atrair alguns mais e outros menos. Daí, é que resolvem tornar a coisa parte constante de sua vida. Mas independentemente de ser o futebol ou a leitura a única ou principal escolha, pelo menos foi dado ao cidadão o direito de escolher.

Porque é o hábito de ler que faz o indivíduo pensar e não aceitar qualquer idéia alheia como verdade absoluta. É a cultura que nos mantêm longe das ditaduras.

Ontem vi pelo Jornal da Noite (SIC) que a Feira do Livro de Lisboa - Parque Eduardo VII - está dando descontos de 50%. Nestes tempos de grana curta, descontos fazem bem à alma.

Aqui neste link e também no título há mais de Saramago sobre o assunto.


fonte: Lusa
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