segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Dor dentro da alegria

Preciso expurgar minhas dores, e nada melhor do que lembrar-me de mim no meu "estado natural" ou "normal", se é que a normalidade existe.

Trocar a dor pela saudade, refresca a alma e afasta a tristeza trazendo a alegria da lembrança. Por mais que aja dor, se conseguir escondê-la na alegria da personalidade, com o tempo essa dor irá embora, completamente. Exige um certo esforço de auto-análise, nada físico, por isso muito mais tranquilo e sem prazos, datas de início ou fim de tarefas. Pronto! Acabei!

A partir desta linha é que começa o meu "estado natural".

Tenho um amigo blogueiro, o Eduardo Tetera, que tem bom humor, às vezes um pouco ácido e por isso mesmo, interessante. Ele faz parte como muitos, de uma legião de admiradores - a palavra fã para o Eduardo pode soar histérica - do Renato Russo, do (ou seria da, Edu?) "Legião Urbana", onde o Eduardo - tenho certeza - se inclui assim como eu. Melhor dizendo, muito mais do que eu.

Ainda esse mês vai se ouvir falar do Renato bem mais do que o habitual, e como ainda não havia encontrado tempo e disposição, uma idéia que não sai da minha cabeça vai finalmente ser posta em prática.

Um dos primeiros e maiores sucessos do Renato foi a música "Eduardo e Mônica", o Tetera, também Eduardo, deve ter ouvido demais da conta essa cantoria, não deve ter sido fácil nos anos 80. Tanto que falou em Renato, lembrei-me da música e consequentemente, sem custo, do Eduardo Tetera.

Vá lá, Edu! Não pude resistir. És escritor e então sabes que quando a idéia surge, não há como não deixar fluir. Se ficar presa, nos engasga e não tô a fim de engasgar. Mas peço a todos que não leiam apenas a música, cantem! Porque - agora é a sério - as letras que Renato Russo escreveu até há 10 anos atrás continuam atuais. "Eduardo e Mônica" é leve e inteligente. Naquela época, éramos muito novinhos e cheios de dúvidas.

Vamos a ela então. O link - no título da música - abre o site onde a música pode ser ouvida.

Eduardo e Mônica

Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
Noutro canto da cidade
Como eles disseram

Eduardo e Mônica
um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"- Eu não tou legal, não agüento mais birita"
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"- É quase duas, eu vou me ferrar"

Eduardo e Mônica
trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica
eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes
Do Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda estava
No esquema "escola, cinema, clube, televisão"

E, mesmo com tudo diferente
Veio neles, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia
Como tinha de ser

Eduardo e Mônica
fizeram natação, fotografia
teatro, artesanato e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
e decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
e também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa
Que nem feijão com arroz

Construíram uma casa uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica
voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
tá de recuperação

E quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?


Legião Urbana, Renato Russo





E num dia desses, Dado Villa-Lobos é entrevistado por Edgar no "Circo do Edgar" no Multishow:
" - Cara, porque você acha que hoje em dia, ninguém mais faz música como as de vocês? As bandas andam muito românticas, o que você acha?"
" - Sei lá, cara! Acho que eles andam vendo muita televisão (risos)"

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