quinta-feira, 16 de março de 2006

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Liberdade

Se ouvires bater à tua porta
E ao abri-la encontrares
Palavras que te esperavam.
Se mesmo depois de pisadas
Se levantarem e te seguirem
Se te envolverem como nuvem
E te cegarem como fumo
Se te queimarem como fogo
E te morderem como cães.
São minhas!
Fui eu que as gritei ao vento
Fui eu que as soltei nas ruas
Fui eu que as mandei procurar
Os sítios onde te guardas
Fui eu que as mandei perguntar
Às sombras pela tua sombra
Aos bichos pelo teu cheiro
Aos homens pelos teus sinais.
Foram elas que te escreveram
Nas paredes das cidades
Foram elas que te descreveram
A todos os que passavam
E procuraram em todos os olhos
Vestígios do teu olhar
E cheiraram as mulheres
Para encontrarem o teu cheiro
E nos seus braços os abraços
Com que o teu corpo as prendeu.
Até chegarem à tua porta
E baterem nos teus ouvidos
E morderem a tua boca
E calarem a tua língua
E rasgarem o teu corpo
E me arrancarem de ti.
E retornarão tranquilas
A mim, as minhas palavras
E serei de mim completa
E serão de mim de novo
Todas elas e mais uma
A palavra liberdade.


Encandescente
"Tulips in Holland" - Claude Monet

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