quinta-feira, 16 de março de 2006

Ferreira Gullar dá sugestões de poesia


Autor de "Um Pouco Acima do Chão" (1949), "A Luta Corporal" (1953), "Dentro da Noite Veloz" (1975) e "Na Vertigem do Dia" (1980), todos de poesia. Ele também é tradutor e escreve crônicas, ensaios e livros de ficção, entre outras modalidades que usam a palavra lapidada. É também colunista do caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo aos domingos.

Em entrevista ao UOL, o poeta e articulista citou 10 livros que o marcaram enquanto leitor e poeta. Mesmo que alguma parte deles não esteja mais disponível como títulos, podem ser encontrados em antologias e coletâneas, disponíveis na Bienal do Livro.

Carlos Drummond de Andrade - "Antologia Poética"
Editora Record - 416 páginas
R$ 35,90

"Ah, 'Sentimento do Mundo' é o livro de Drummond que eu escolheria", diz Ferreira Gullar, que ressalta o caráter rebelde no terceiro livro do autor, lançado em 1940. Relançado em 2002, como parte das comemorações do centenário de Drummond, a edição está novamente esgotada. Porém, é possível encontrar seus poemas na "Antologia Poética", além de versos como "lagarta mole que escreves a história,/escreve sem pressa mais esta história:/o chão está verde de lagartas mortas.../Adeus, princesa, até outra vida."

Manuel Bandeira - "Estrela da Vida Inteira
Editora Nova Fronteira - 422 páginas

Em 1940, quando lançou a primeira publicação de suas "Poesias Completas", Bandeira deu o nome de "Lira dos Cinqüent'Anos" ao conjunto de poemas que foram acrescidos na edição do autor. Foi exatamente essa adição que mais impressionou o jovem Gullar, com poemas como "Belo Belo":

"Não quero amar,/Não quero ser amado./Não quero combater,/Não quero ser soldado/. - Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples/";

e "O Exemplo das Rosas":

"Uma mulher queixava-se do silêncio do amante:/- Já não gostas de mim, pois não encontras palavras para me louvar!/Então ele, apontando-lhe a rosa que lhe morria no seio:/- Não será insensato pedir a esta rosa que fale?/Não vês que ela se dá toda no seu perfume?".

Murilo Mendes - "Poesia Liberdade"
Editora Record - 160 páginas
R$ 26,90

Para Ferreira Gullar, a poesia do mineiro Murilo Mendes é a mais transgressora dentre a dos poetas modernistas, que usa versos agressivos, de impacto, para chocar e deslocar o leitor. Mendes escreveu o livro entre 1943 e 1945 _durante a ditadura do Estado Novo e a 2ª Guerra Mundial.

Depois, Gullar destacou nomes de poetas contemporâneos seus que causaram impressão nele, como Décio Pignatari e Reinaldo Jardim. Mas suas indicações vão para...

Augusto de Campos - "Viva Vaia - Poesia 1949-1979"
Ateliê Editorial - 264 páginas
R$ 70

"Gosto muito do Augusto de Campos 'concreto', mas o Augusto anterior ao movimento é melhor ainda", conta Ferreira. É por isso que sua escolha é o primeiro livro do autor, "O Rei Menos o Reino", de 1951. Como a obra só foi publicada na época, é possível apenas encontrar partes dele na primeira parte da antologia poética de Augusto de Campos, "Viva Vaia".

Mario Quintana

"Não tem como destacar um livro do Quintana. É um poeta muito original, ao mesmo tempo delicado e irônico", diz Ferreira. A Editora Globo relança, desde 2005, a obra completa do poeta gaúcho, que inclui livros como "Baú de Espantos" (R$ 29, 148 páginas), "Espelho Mágico" (R$ 24, 80 páginas), "Aprendiz de Feiticeiro" (R$ 24, 70 páginas), "Canções" (R$ 25, 83 páginas), "Sapato Florido" (R$ 29, 165 páginas), "A Rua dos Cataventos" (R$ 24, 71 páginas) e "Apontamentos de História Sobrenatural" (R$ 32, 216 páginas).

Entre os fundadores do modernismo na poesia, Ferreira não deixa de comentar a marca dos franceses na história da literatura

"Mallarmé", organizado e traduzido por Décio Pignatari e Augusto de Campos
Editora Perspectiva - 232 páginas
R$ 32

"A experiência visual com versos e espaços de Mallermé em 'Um Lance de Dados' é das mais belas feitas na poesia. Em meu livro 'Luta Corporal', procurei fazer algo com o mesmo espírito", diz Gullar. "A espacialização em 'Um Lance de Dados' é uma tentativa de superar o caráter unidirecional da linguagem. Além do eixo, do discurso axial, há outros núcleos de idéia e a audácia de se criar uma voz polifônica", analisa. O poema, que dá título ao principal livro de Stéphane Mallarmé, pode ser encontrado em coletânea organizada pelos concretistas brasileiros, edição bilíngüe.

Charles Baudelaire - "Flores do Mal"
Editora Nova Fronteira - 656 páginas
R$ 44,90

Arthur Rimbaud - "Iluminuras"
Editora Iluminuras - 176 páginas
R$ 35

"Rimbaud e Baudelaire se caracterizam pelos versos agressivos, mas ambos são muito marcados pela idéia de pecado e de culpa. Eles ainda se importavam com o catolicismo, nem que seja por oposição à idéia", observa Ferreira. "Mas isso, de forma alguma, diminui a potência dos dois"

Walt Whitman - "Folhas de Relva"
Editora Iluminuras - 324 páginas
R$ 44

"Em comparação com Baudelaire e Rimbaud, e mesmo por estar em outro continente, com outra herança cultural, Walt Whitman é o mais saudável dos poetas modernos. Seus versos são livres em todos os sentidos", diz Gullar.

O poeta consultado ainda indicou título de sua companheira, a poetisa Cláudia Ahimsa, que em 2005 lançou "A Vida Agarrada" (edição da autora). Na verdade, foi a primeira escolha do poeta e seria a única, caso a conversa não tivesse se prolongado. "É um livro muito elaborado, cuidadoso, que tem uma visão poética grandiosa, total", afirma ele.

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