quarta-feira, 30 de novembro de 2005

38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

"Eu me lembro" do baiano Edgard Navarro é o grande vencedor do festival

O cineasta baiano Edgard Navarro, diretor de "Eu me Lembro", saiu consagrado na premiação do 38o. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, na noite de terça-feira, após receber sete troféus Candango - melhor filme, direção, atriz (Arly Arnaud), ator coadjuvante (Fernando Neves), atriz coadjuvante (Walderez Freitas), roteiro e prêmio da crítica.

Dirigindo seu primeiro longa aos 56 anos - apesar de ser um premiado curta e média-metragista há 30 anos -, Navarro estava emocionado quando recebeu seu penúltimo troféu, o de roteiro. "Vocês querem me matar? Nós somos muito pobres", disse. Em seguida, tropeçou ao descer do palco do Teatro Nacional Cláudio Santoro, onde se realizou a premiação.

Pouco depois, veio receber com toda a equipe o último e principal prêmio, o de melhor filme, com uma premiação de 80 mil reais.

"Viva o cinema brasileiro, que pode ter tantos filmes bons num só festival. Estou em estado de graça. Está nascendo o novo cinema brasileiro", afirmou.

Estrela da fama

Estrela da fama de Gregory Peck é roubada

A estrela de Gregory Peck desapareceu da famosa Calçada da Fama de Hollywood. Uma pessoa munida com uma serra removeu da calçada a homenagem ao ator, premiado com o Oscar pelo filme "O Sol é Para Todos" (1962), colocada no local há 43 anos.

Enquanto a polícia de Los Angeles investiga o sumiço, os responsáveis pela Calçada da Fama já providenciaram uma estrela substituta.

Na região de Hollywood, ao lado do Teatro Chinês, existem mais de duas mil estrelas nas calçadas dedicadas às celebridades do mundo do cinema e da televisão.

A estrela de Gregory Peck é a quarta a ser roubada em 45 anos de história da Calçada da Fama. Os roubos anteriores ocorreram com as estrelas de Jimmy Stewart, Kirk Douglas e Gene Autry.

Transplante de rosto

Médicos franceses fazem o 1º transplante de rosto do mundo

A cirurgia teria sido feita no domingo, em um hospital de Amiens, para recuperar o rosto de uma mulher de 38 anos, que tinha perdido o nariz, os lábios e o queixo ao ser atacada por um cachorro.

Na cirurgia, os médicos fizeram implante de pele, gordura e vasos sangüíneos, que foram removidos de um doador morto.

Os médicos informaram que a mulher não vai ficar parecida com o doador e nem com o que ela era antes do ataque. Terá um rosto "híbrido".
A técnica desse tipo de transplante já é conhecida em pesquisas feitas por cientistas dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França.

A pele do rosto de outra pessoa é melhor para o transplante, porque é mais parecida do que a pele de outra parte do corpo do paciente, que pode ter textura e cor diferentes.

Mas os médicos vinham evitando levar a técnica adiante por causa da preocupação ética e do impacto psicológico da mudança de aparência para o paciente.

Na Grã-Bretanha, o procedimento não é permitido por causa das preocupações relacionadas com a imunossupressão (a eventual rejeição do tecido que é usado), o impacto psicológico e as conseqüências de uma falha técnica.

Veja mais sobre a matéria aqui.

Outro "sururû"

Cidadania da mulher de Lula vira polêmica na Itália


O caso da primeira-dama brasileira, que também é cidadã italiana e pode votar nas próximas eleições na Itália, foi usado para criticar o abuso na concessão de passaportes para os “oriundi” e para defender o direito de voto dos estrangeiros que moram e trabalham no país.

A crítica teria vindo do ex-premiê Massimo D’Alema, um expoente da coalizão de centro esquerda, muito ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e foi tema de um artigo publicado na edição de quarta-feira do principal jornal italiano, o Corriere della Sera.

O título do artigo é “A mulher de Lula vota, a babá de meus filhos não”. D’Alema, que é amigo de Lula, é presidente do maior partido da esquerda italiana, o DS (Democráticos da esquerda).

De acordo com o jornal, ele acha uma disparidade que os italianos residentes no exterior possam votar e os imigrantes que estão no pais há anos não tenham esse direito.

O presidente do DS teria usado como exemplo o caso da primeira-dama Marisa Letícia, bisneta de italianos, que obteve o passaporte, com direito ao voto. O exemplo foi citado durante uma conferência do partido, segundo o jornal.

O político teria contado que numa de suas viagens ao Brasil, Marisa Letícia contou a ele pessoalmente que tinha recebido o certificado eleitoral.

“Ela fala apenas português, não sabia o que era”, teria dito D’Alema, definindo como absurdo que a babá de seus filhos, que vive legalmente há dez anos em sua casa e paga os impostos, não tenha o mesmo direito.

A primeira-dama brasileira obteve o passaporte italiano porque seus bisavós emigraram para o Brasil no início de 1900. Segundo uma lei italiana, aprovada em 1992, isto é suficiente para que o descendente conquiste a cidadania.

n.r.: posso estar enganada quanto a data, mas nos anos 90 a Itália passou a "distribuir" a cidadania italiana até a 4ª geração de brasileiros descendentes de italianos. Foi um "corre-corre" fenomenal!


Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos, nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa in Álvaro de Campos

"Vênus e Adonis" - Tiziano

Adriana Varejão e Nobuyoshi Araki - S.Paulo

Pinturas e desenhos da carioca fazem relação com o trabalho do fotógrafo japonês

Adriana Varejão - "A chinesa"


Tanto com pinturas ou desenhos, a artista carioca Adriana Varejão traz imagens de piscinas, saunas, banheiros, salas e corredores completamente revestidos de azulejos, aprofundando sua pesquisa por ambientes virtuais.

Além disso, a Galeria Fortes Villaça também apresenta 32 imagens do consagrado fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki selecionadas pela própria Adriana. Num primeiro momento, as imagens de ambas exposições podem parecer totalmente diferentes, mas a artista estabelece referências formais e temáticas com as imagens de Araki.

Nobuyoshi Araki

"Les aventures du Tintin"

Tintin e suas aventuras voltam ao Brasil

Em janeiro de 1929, um repórter começou a se destacar nas páginas do "Le Petit Vingtième", o suplemento infantil do jornal belga "Le Vingtième Siècle" (o século 20). Curiosamente, ele não era autor de textos, mas personagem.

Hoje, 76 anos depois, o (ainda) jovem Tintim, criação de Georges Rémi, vulgo Hergé, já tem fama universal e uma legião de fãs de várias gerações, conquistada graças à série de 24 aventuras traduzidas em mais de 45 línguas, além de uma infinidade de produtos associados, como desenhos animados para a TV e para o cinema, séries de rádio etc.

O relançamento, pela Companhia das Letras, das aventuras do personagem de Hergé - acompanhado de seu fiel e inseparável cão, Milu - é a chance de uma nova geração de leitores brasileiros conhecerem, agora em todas as 24 aventuras, este clássico que ficou sem edição em português do Brasil por décadas - foi lançado na década de 1970 pela Record, que publicou apenas nove livros, e, mais recentemente, importado de Portugal pela editora Verbo.

Prometido pela editora para o ano passado, quando o personagem completou 75 anos, o primeiro bloco de aventuras foi lançado só neste mês, trazendo quatro livros - "Os Charutos do Faraó", "O Lótus Azul", "O Ídolo Roubado" e "A Ilha Negra" - com preço unitário de R$ 33. As próximas aventuras, segundo a editora, serão lançadas a partir de junho de 2006, duas edições por mês.

Prometido pela editora para o ano passado, quando o personagem completou 75 anos, o primeiro bloco de aventuras foi lançado só neste mês, trazendo quatro livros - "Os Charutos do Faraó", "O Lótus Azul", "O Ídolo Roubado" e "A Ilha Negra" - com preço unitário de R$ 33. As próximas aventuras, segundo a editora, serão lançadas a partir de junho de 2006, duas edições por mês.

Fernando Pessoa

Portugueses lembram os 70 anos da morte de Fernando Pessoa

Os 70 anos da morte do mais representativo dos poetas portugueses do século passado, serão lembrados em Lisboa com a leitura de poemas, um debate sobre sua trajetória, uma exposição de pintores cubanos, entre outros atos.

A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, onde o escritor viveu os últimos 15 anos de suas vida, será palco do lançamento do projeto "Wordsong Pessoa", um livro, CD e DVD que abordam de forma inédita a obra do genial poeta e que serão comercializados a partir de fevereiro de 2006.

A vida e obra de Fernando Antonio Nogueira Pessoa (Lisboa,1888-1935) será lembrada om a apresentação dessa iniciativa, que reúne 14 poemas com música de Alexandre Cortez, Pedro D'Orey, Nuno Grácio e Filipe Valentim, além de contar com um vídeo de Rita Sá.
A Casa Fernando Pessoa, em colaboração com o Teatro Municipal São Luiz, também organizou uma leitura de poemas do autor por escritores, artistas e personalidades portuguesas de diferentes campos em seu Jardim de Inverno.

Após as leituras, haverá um debate com o tema "Fernando Pessoa e o futuro da literatura", de que participarão, entre outros, José Afonso Furtado, Richard Zenith, Manuel Parreira da Silva e Fernando Cabral Martins.

Além disso, uma Galeria de Lisboa inaugurará hoje a exposição "Mar português", em homenagem ao poeta, com a apresentação de um conjunto de obras de pintores cubanos.

Fernando Pessoa, que usou os heterônimos Bernardo Soares,Chevalier de Pas, Alexander Search, Alberto Caeiro e Alvaro de Campos para assinar suas obras, nasceu em Lisboa em 13 de junho de 1888. O poeta viveu na África do Sul de 1896 a 1905, quando voltou a Lisboa, onde em 1915 começou a publicar seus poemas com estilo modernista, tanto em inglês como em português.

Em vida, Pessoa só teve um livro de poemas publicado, "Mensagem" (1934), e sua obra mais popular, "O livro do desassossego", um romance inacabado e escrito em forma de diário, só foi editada anos após sua morte, em 30 de novembro de 1935.

Pessoa tinha 47 anos quando morreu de cirrose hepática e hoje seus restos repousam sob um monólito de mármore no claustro do Monastério dos Jerônimos, o mais emblemático monumento português, perto dos poetas Luiz Vaz de Camões e Alexandre Herculano.

terça-feira, 29 de novembro de 2005


Silêncio!...

No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou o vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te à porta...


Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear
Em roda à tua casa, a procurar
Beber-te a voz, apaixonada, absorta!


Estou junto de ti, e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!


Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa... Escuta!... Uns leves passos...
Silêncio, meu Amor!... Abre! Sou eu!...


Florbela Espanca

"Before the mirror" - Edgar Degas

Machu Picchu

Peru tenta recuperar tesouros de Machu Picchu entregues ao EUA


O Peru quer recuperar cerca de cinco mil objetos de ouro, prata, madeira, osso, pedra e cerâmica que foram achados na famosa cidade inca de Machu Picchu e que permanecem nos Estados Unidos desde 1912.

As 4.902 peças foram levadas à universidade americana de Yale pelo explorador americano Hiram Bingham, que chegou à chamada "cidade perdida dos incas" em 1911.

O diretor do Instituto Nacional de Cultura do Peru, Luis Lumbreras, explicou ontem à Comissão de Relações Exteriores do Congresso a história que permitiu que os objetos de Machu Picchu estejam há quase um século em Yale.

Lumbreras, um dos arqueólogos mais prestigiados do Peru, disse que as peças foram enviadas aos EUA mediante uma resolução suprema do Governo peruano que autorizou seu estudo com o compromisso de que fossem devolvidas um ano depois. A permissão foi renovada depois por mais seis meses, mas a universidade americana não cumpriu a devolução, o que gerou as reclamações de Lima, embora sem obter uma resposta positiva.

O arqueólogo disse que, em 1930, a Yale publicou um catálogo completo de todos objetos e cerâmicas de Machu Picchu e depois ofereceu devolver uma parte da coleção, o que foi rejeitado pelo Governo peruano.

O procedimento de uma nova reclamação deve ser estabelecido pela Chancelaria peruana, segundo Lumbreras, que considerou possível a necessidade de iniciar ações judiciais. A Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura reconheceu o direito do Peru de reivindicar seu patrimônio cultural, ressaltou Lumbreras.

O diretor do Instituto Nacional de Cultura do Peru, Luis Lumbreras, explicou ontem à Comissão de Relações Exteriores do Congresso a história que permitiu que os objetos de Machu Picchu estejam há quase um século em Yale.

n.r.: ô povo enrolado.


Seda, lã e algodão na escala ao Everest

Réplica de roupa de 1924 será usada em escalada no Everest



Fotografia da expedição de Mallory e Irvine

O montanhista Graham Hoyland vai voltar ao Monte Everest em 2007, mas, desta vez, não vai usar vestimentas feitas com fibras de alta tecnologia, que incluem fatores de redução do efeito do vento.

Hoyland, que já esteve no topo do Everest sete vezes, vai usar uma réplica da vestimenta usada na expedição de 1924, dos exploradores britânicos George Mallory e Andrew Irvine.

Os dois exploradores morreram e até hoje não se sabe se eles conseguiram alcançar o pico do Everest antes de sucumbir às duras condições do ambiente – o que faria deles os primeiros a chegar ao topo.

A expedição de Mallory e Irvine adquiriu a reputação de ter tido aspectos amadores, em parte porque fotografias tiradas no acampamento mostravam os dois usando vestimentas de "cavalheiros ingleses" da época, com casacos de tweed.

Hoyland é sobrinho neto de um integrante da expedição e há seis anos fez parte da equipe que encontrou os restos mortais de Mallory.

"O mito típico de Mallory é o de que ele estava mal equipado e era um pouco amador", disse Mary Rose, professora da Universidade de Lancaster, na Grã-Bretanha.

"Mas constatamos que ele provavelmente entendia mais de vestimentas do que montanhistas modernos". "Era um sistema bastante avançado. A seda impede o vento e as camadas de seda e lã escorregavam uma na outra, de tal forma que era mais fácil escalar."

Vanessa Anderson, estudante de mestrado em desempenho de vestimentas esportivas da Universidade de Derby, usou documentos e restos da vestimenta para recriar diversos itens usados por Mallory, entre eles suas perneiras. Segundo ela, o tecido das perneiras foi fabricado de tal forma que criava uma estrutura de três dimensões, semelhante a um favo de mel.

É ideal para segurar o ar perto da pele, o que dá mais isolamento", disse.
Ela também reconstruiu a jaqueta de gabardine que Mallory usava e concluiu que ela era perfeita para escalar.

Os pesquisadores também concluíram que a indumentária de Mallory pesava muito menos do que seus equivalentes modernos. Isso, segundo a professora Mary Rose, inspirou os fabricantes de vestimentas a reavaliar o uso de fibras naturais, mas as roupas reconstruídas ainda serão testadas.

"Somente se testarmos no ambiente real pode-se ter uma avaliação real do desempenho das roupas", disse Rose.

E é isso que Graham Hoyland espera descobrir quando usar as vestimentas no Everest. "Acho que vai ser mais fácil de se mover no terreno, mas imagino que o vento será verdadeiramente cortante", disse ele.

"Acho que Mallory e Irvine realmente escalaram a montanha em 1924."

Diabetes, a doença silenciosa

Estudo relaciona risco de diabetes a poluição da água


Salmão e outros peixes gordos são fontes de POP

A exposição a níveis elevados de um tipo de substâncias poluentes – os chamados POPs –pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver diabetes do tipo 2, segundo pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia.

Depois de estudar 196 pescadores e suas mulheres, cientistas da universidade concluíram que o risco de diabetes do tipo 2 é maior entre quem está exposto a essas substâncias.

Uma fonte comum de POPs (poluentes orgânicos persistentes) é a carne de peixes gordos, como os salmões.

Os resultados foram divulgados em artigo publicado nesta terça-feira na revista especializada Environmental Health.

Os POPs são uma categoria de substâncias que inclui os bifenilos policlorados (PCBs) e o inseticida DDT. Eles são resultados de processos industriais e agrícolas e estão amplamente disseminados na natureza.

Os cientistas analisaram amostras do sangue dos voluntários em busca de um resíduo de POP chamado CB-152 e de um subproduto do DDT chamado DDE.

Níveis significativos das duas substâncias foram encontradas no sangue de 6% dos homens e de 5% das mulheres que tinham diabetes do tipo 2.

Pesquisas anteriores já haviam sugerido que substâncias tóxicas como os POPs podem reduzir a capacidade do organismo processar a glicose.

n.r.: vale resalvar que peixes gordos como o salmão e a sardinha são excelentes para o HDL -"colesterol bom".

Bá, guri!

Contista gaúcho vence Telecom

Nada de paulistas, cariocas ou mineiros. Autor do livro de contos "Os Lados do Círculo" (publicado pela Companhia das Letras), o gaúcho Amílcar Barbosa foi o grande vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira para livros publicados em 2004.

Barbosa levou os R$ 100 mil do prêmio principal. O mineiro Silviano Santiago ficou com os R$ 35 mil do segundo lugar por seu romance "O Falso Mentiroso" (Rocco). Em terceiro, com R$ 15 mil, ficou Edgard Telles Ribeiro, nascido no Chile, por suas "Histórias Mirabolantes de Amores Clandestinos" (Record).

Realizada ontem à noite na Sala São Paulo, a cerimônia do maior prêmio literário do país contou com a participação de Luis Fernando Veríssimo tocando "Aquarela do Brasil" no saxofone, acompanhado da banda Jazz Seis.

No ano passado, o prêmio principal foi entregue ao poeta e tradutor Paulo Henriques Britto. Em 2003, foram agraciados Dalton Trevisan e Bernardo Carvalho.

Londres medieval


O Museu de Londres abriu uma nova galeria dedicada ao período medieval da capital britânica. São 1,2 mil artigos em exposição, entre eles esse sapato "poulaine" encontrado na lama do Tâmisa.







Este broche foi encontrado em um cemitério em Floral Street, na região de Covent Garden. A jóia data dos anos 600 e é feita com cobre e ouro. O seu estilo era popular entre os saxões aristocratas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Amor de paixão dura pouco

Segundo pesquisadores da Universidade de Pavia, dura menos de um ano

O amor de paixão duro pouco mais de um ano, segundo pesquisadores da Universidade de Pavia, na Itália.

Os cientistas descobriram que um componente químico do cérebro é provavelmente responsável pelos primeiros rubores de amor. Segundo eles, o aumento dos níveis das proteínas chamadas neurotrofinas está ligado aos sentimentos de euforia e dependência que surgem no começo de um relacionamento.

Depois de estudar pessoas com relacionamentos de longa e curta duração e solteiros, os pesquisadores constataram que os níveis dessa proteína caem depois de algum tempo.

A equipe de cientistas analisou as alterações dos níveis da proteína na corrente sangüínea de homens e mulheres com idade entre 18 e 31 anos, segundo o jornal especializado Psychoneuroendocrinology.

Eles estudaram 58 pessoas que tinham acabado de começar um relacionamento e compararam os níveis de proteína em igual número de pessoas em relacionamentos de longo prazo e solteiras. Naquelas pessoas que tinham acabado de começar um relacionamento, os níveis da proteína NGF – que causa sintomas como suor nas palmas das mãos – estavam elevados de forma significativa. Em 39 pessoas que ainda estavam na mesma relação um ano depois, os níveis de NGF tinham caído.

Pierluigi Politi, um dos autores do estudo, disse que a descoberta não quer dizer que as pessoas não estão mais apaixonadas, mas apenas que não é mais "amor agudo".

"O amor se tornou mais estável. O amor romântico parece ter acabado (após algum tempo)", disse. Segundo Politi, o estudo indica que as mudanças na forma de amor parecem ligadas à NGF.

"Nosso conhecimento da neurobiologia do amor romântico continua limitado", disse. "Mas o estudo sugere que os mecanismos bioquímicos podem estar envolvidos em mudanças de humor que ocorrem nas primeiras fases do amor até quando o relacionamento fica mais estável."

Ele observou que ainda é preciso fazer novas pesquisas.

n.r.: achei a conclusão extremamente inteligente...


Ensinamento

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Adélia Prado
"Pescadores" -
Emiliano Di Cavalcanti

Dois sítios neolíticos são descobertos no norte da Grécia

Equipes arqueológicas descobriram dois sítios neolíticos de cerca de 8.000 anos no norte da Grécia, informou nesta segunda-feira o Ministério da Cultura grego.

No primeiro sítio, perto de Ptolemaida, os arqueólogos encontraram cinco tumbas de cerâmica, "algumas pintadas e entalhadas", destacou um comunicado do ministério. Eles também descobriram mais de mil objetos, tais como ferramentas de pedra na forma de um machado e 55 pequenas figuras de barro, a maioria retratando mulheres, mas também animais como touros e búfalos.

No segundo sítio, perto de Grevena, onde aparentemente existia uma pequena residência, os arqueólogos encontraram "uma interessante peça de cerâmica com uma inscrição entalhada", acrescentou o ministério.

Os pesquisadores também encontraram estátuas de pedra representando figuras de animais e, ainda mais raro, de humanos, assim como um grande número de ferramentas em pedra.

Em outro local da região de Kozani, especialistas descobriram duas pilastras da época dos romanos, decoradas com relevos e uma inscrição. Um relevo mostra "um homem e uma mulher de pé com um cavalo entre eles e, ao fundo, um criado em menor escala", continuou o ministério.

Chove colorido sobre o cinza

Metrô londrino exibe obras de Beatriz Milhazes


Paz e Amor

Obras da artista brasileira Beatriz Milhazes estão em exposição na estação de metrô de Gloucester Road, em Londres.

A série de novas obras dela recebeu o nome de Paz e Amor.
Diálogo visual

A exposição ocupa um dos lados da plataforma da estação.

Os responsáveis pela exposição dizem que ela cria um "diálogo visual com a arquitetura e o constante movimento de trens e passageiros".
Veja mais imagens.

Novos artistas

BBC realiza concurso paralelo ao Turner Prize

O site BBC News está realizando uma competição de arte paralela ao Turner Prize da Grã-Bretanha. Os internautas enviaram imagens de suas próprias obras, como esta feita por Matthew John.

Esta imagem, intitulada 'Movimento em Azul', foi criada e submetida por John Spilsbury e seu filho Zyllan. Mais de 300 pessoas inscreveram obras no concurso.
Veja mais imagens

Boicote



O ex-Beatle Paul McCartney pediu um boicote à compra de produtos chineses depois de ter visto um vídeo que mostra gatos e cachorros sendo submetidos a maus-tratos terríveis para extrair a pele dos animais.

McCartney prometeu nunca se apresentar na China depois de ter visto as imagens, gravadas secretamente em um mercado de peles na cidade de Cantão, no sul da China.

O ex-Beatle também pediu um boicote à Olimpíada de 2008, que será realizada em Pequim.

Um representante do governo chinês disse que um boicote não seria justificado e culpou consumidores dos Estados Unidos e Europa por comprar as peles.
O filme mostra os cães e gatos presos em pequenas jaulas de metal sendo atirados do alto de um ônibus de dois andares numa calçada.
Os animais, muitos com as patas fraturadas pelo tombo, são então suspensos por pinças de metal e atirados sobre uma cerca de mais de dois metros de altura.

Alguns deles são espancados por funcionários sorridentes.

Todos são mortos e têm suas peles retiradas, e acredita-se que muitos ainda estejam vivos quando passam por este processo.

Paul McCartney e sua mulher, Heather, ficaram chocados e quase chegaram às lágrimas ao assistir as filmagens gravadas para uma reportagem especial da BBC que será transmitida nesta segunda-feira.

n.r.:confesso que publiquei mas só li o início da reportagem. Ainda há mais no link para a página,que se encontra no título.

Cartunistas passam do blog para o livro


Dois cartunistas com um senso de humor ácido, duas figuras que ganharam destaque na era da internet com desenhos de personagens toscos, dois autores de blogs de sucesso na rede: Allan Sieber e André Dahmer decidiram fixar seus mundos virtuais no ancestral formato de livro.

"Sem Comentários" (Casa XXI, 96 págs., R$ 30), de Sieber, e "Malvados" (Editora Gênese, 128 págs., R$ 25), de Dahmer, reproduzem em suas páginas as tirinhas e personagens que ganharam vida nos blogs dos autores, numa curiosa (e cada vez mais comum) inversão daquilo que se pensou originalmente ser a grande sacada desses sites da internet.

Espécie de diários on-line em que cada pessoa pode construir sua própria página - geralmente com pequenos textos, fotos e desenhos -, os blogs permitiram a uma geração de escritores, desenhistas e fotógrafos divulgar suas obras e idéias livremente, a custo quase nulo e para um público enorme, o que fez muita gente prever a decadência de meios impressos como jornais e livros.

O livro de Sieber, que publica suas tirinhas em dois cadernos da Folha - no Folhateen e, aos domingos, na Ilustrada -, busca reproduzir a atmosfera virtual encontrada em seu site (talktohimselfshow.zip.net). Com um formato de bloco de notas, o livro seleciona material publicado entre 2003 e 2005, incluindo a data em que foram colocados on-line, os comentários dos internautas - parte da interatividade que colaborou para o sucesso dos blogs - e os endereços de todos os sites que são comentados.

Nele estão não apenas as tirinhas politicamente incorretas e os personagens anárquicos criados por Sieber mas também suas hilárias divagações sobre filmes, personalidades e sobre outros desenhistas e ilustradores - um deles o próprio André Dahmer.

Sieber é particularmente talentoso para irritar os religiosos e moralistas de plantão. Desenhos como "A Bíblia Versão MTV", em que Jesus aparece na célebre cena da Última Ceia utilizando um linguajar jovial e cheio de gírias para conversar com os apóstolos, causam uma enxurrada de comentários indignados e ameaças mais e menos veladas.

André Dahmer também não deixa por menos. A capa de seu livro, que segue um formato mais tradicional, reunindo as tirinhas da dupla de girassóis muito apropriadamente intitulada "Malvados", já tem o aviso: "Não faço as pessoas de bobas; elas nascem assim...". Desenhada em preto e branco, com um mínimo de traços e praticamente sem cenário, a dupla que Dahmer - que também publica seus desenhos no "Jornal do Brasil" - criou em 2001, em seu site (www.malvados.com.br) ganhou muitos fãs, entre eles figuras ilustres como Laerte, que assina o prefácio.


Ué!! Porque será?!

Ensolarado, Brasil ignora conversíveis



Nem os 7.367 km de praias fazem o Brasil ser rico em carros conversíveis. Eles são apenas 0,02% do mercado. Na chuvosa Inglaterra, a proporção é 50 vezes maior. O preço alto e a violência são apontados como os responsáveis por tanta escassez.

"O brasileiro sente-se desprotegido ao rodar sem capota", atesta Laerte Dias, da MC Consultoria. Pagar cerca de 25% a mais também desencoraja. "Isso foi decisivo para o fim do Chevrolet Kadett GSi e do Ford Escort XR3."

Atualmente, seis empresas vendem dez modelos. "Oferecer conversíveis vale como imagem", disse Paulo Sérgio Kakinoff, diretor de marketing e vendas da Volkswagen, ao anunciar a importação do Eos em 2007. A previsão é que tenha o preço de R$ 200 mil e que seja adquirido por cinco pessoas.

Outra arma de sedução é a margem de lucro, que já encantou a Audi, a BMW, a Peugeot, a Porsche, a Maserati e a Mercedes-Benz. Porém esses atrativos não são suficientes para todos. A Nissan vende apenas a versão cupê do 350Z -procurada pela Folha, a montadora não se manifestou.

Sem opções nacionais, o brasileiro paga caro por um lugar ao sol. A opção mais barata é o 206 CC. Francês, o modelo com as linhas da versão feita no Rio custa R$ 83.290, R$ 35.390 a mais que a versão topo de linha do hatch.

Ter o título de conversível mais barato, porém, não lhe dá a liderança de vendas, que está com o Peugeot 307 CC. Neste ano, foram 117 carros comercializados por R$ 126.610. Com 138 cv (cavalos), é 14 cm mais comprido e 9 cm mais baixo que o com capota rígida.

n.r.: em conversíveis, leia-se descapotável..."é mais lógico".

domingo, 27 de novembro de 2005

Bzz ? Nzz, bzzu !

"Conversas" de insetos são reveladas em série da BBC


Técnicas avançadas de imagem e som estão ajudando cientistas a ter novas e impressionantes percepções do comportamento de insetos.

Lagartas de grandes borboletas azuis puderam ser observadas comunicando-se com formigas, fazendo sons que as levam a tratar as lagartas como se fossem suas próprias larvas.

E cientistas agora estudam a possibilidade de estes sons serem ouvidos também pelas vespas que procuram lagartas para depositar seus ovos nelas. Esta é uma das várias histórias que podem ser vistas na série Life in the Undergrowth (Vida nos Pequenos Arbustos, em tradução livre), produzida pela BBC.

"No passado, para se chegar perto de algo, você tinha de jogar luz em cima; portanto, você corria o risco de assustar aquela coisa - e você certamente inibia o comportamento natural", afirmou David Attenborough, apresentador da série.

"Agora nós temos câmeras eletrônicas tão sensíveis que não precisamos mais de toda essa luz e nós também temos lentes muito, muito pequenas; assim, podemos chegar bem perto, e aí você vê coisas magníficas."

Ver mais sobre a matéria aqui.

Direito à escolha

Suíça proíbe colheita de produtos transgênicos


A Suíça aprovou em um referendo, realizado neste domingo, o banimento de cinco anos às plantações de grãos geneticamente modificados.

Um total de 55,7% do eleitorado votou a favor da proibição.

Fazendeiros suíços votaram a favor do banimento. Eles argumentam que as produções de transgênicos poderiam danificar os produtos orgânicos.

Mas a indústria de biotecnologia diz que o país precisa aceitar os novos desenvolvimentos. Segundo o correspondente da BBC em Berne Imogen Foulkes, há muito tempo os suíços suspeitam das colheitas geneticamente modificadas.

Apenas uma pequena plantação de trigo transgênico foi feita por cientistas da Universidade de Zurique no país para fins experimentais.

Pesquisas mostram que os consumidores suíços não comprariam produtos geneticamente modificados.

A União Européia levantou a moratória às colheitas transgênicas no ano passado.

A Suíça, embora não seja membro da União Européia, estava sob pressão para fazer o mesmo.

Obra inédita de Donatello é destaque de mostra

"Madonna" é destaque de exposição de Siena

"Natividade" - Giovanni Bazzi

Uma obra inédita de Donatello, a "Madonna" criada para o sepulcro de Santa Catarina na igreja de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma, é uma das atrações da exposição que reúne grandes artistas italianos e que foi inaugurada nesta sexta-feira em Siena.

A exposição, intitulada "Siena e Roma, Rafael, Caravaggio e os protagonistas de uma relação antiga", se propõe a reconstruir as "profundas relações culturais que ligam as duas cidades", segundo disseram seus responsáveis.

A obra de Donatello possui um significado especial para esta união, já que Santa Catarina, cujo corpo se encontra em Roma e a cabeça em Siena, é uma das melhores provas de tais vínculos.

A escultura, que representa a Virgem entre treze querubins que lhe oferecem duas coroas, era até então conhecida apenas por alguns poucos especialistas, e foi apresentada à comunidade científica em junho, pouco após ser atribuída a Donato di Niccolo di Betto Bardi (1386-1466), mais conhecido como Donatello.

Após a exposição, que será encerrada no dia 5 de março, a obra será devolvida ao do sepulcro de Santa Catarina na igreja de Santa Maria Sopra Minerva, construído em 1430. A exposição inaugurada no palácio Squarcialupi conta com outras 170 obras, entre desenhos, pinturas e esculturas de grandes artistas italianos.

Ao longo da mostra, figuram ainda trabalhos de Ambrogio Lorenzetti, Jacopo della Quercia, Francesco di Giorgio Martini, Giovanni di Paolo, Sano di Pietro, Domenico Beccafumi, Marco Pino, Bernardino Mei, Rutilio Manetti e Niccolo Tornioli.

Antes de chegar ao palácio, os visitantes poderão conhecer outro dos principais elos entre as duas cidades - as ruínas romanas de Siena - e percorrer a via medieval de Francigena, construída para facilitar o percurso que liga Roma à França.

Os visitantes também poderão admirar a "Buona ventura" de Caravaggio, além de outras obras do autor, como o "Narciso" e a "Música", que foi enviada pelo Museu Metropolitano de Nova York. A mostra tem como atrativo especial a exposição de diversas obras inéditas na Itália, dentre as quais algumas obras de artesanato em madeira de Mattia di Nanni, conhecido como Bernacchino, que decoravam os assentos dos governantes de Siena e que hoje se encontram em Nova York e Montreal.

n.r.: "Siena & Roma. Raffaello, Caravaggio e i protagonisti di un legame antico". Siena. Palazzo Squarcialupi, Santa Maria della Scala.
Mas,...inteira:9 euros e meia:7 euros....


sábado, 26 de novembro de 2005



Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana
"La baie des anges" - Marc Chagall

Blog português ganha prêmio internacional

Público elege blog em português o melhor do mundo

O blog em português Tupiniquim venceu a categoria "Melhor Weblog" do concurso internacional The BOBs (The Best of the Blogs) segundo a escolha dos internautas - 29% de 13.018 votos. Esta é a segunda edição da competição organizada pela Deutsche Welle, que no Brasil conta com o apoio da Folha Online. Apesar de ter como foco notícias de índios brasileiros, o Tupiniquim é feito por internautas de Portugal.

Os portugueses Luís Galrão e Fernando Sousa reúnem diversas notícias sobre questões indígenas e links para outros endereços virtuais que tratam do assunto. Segundo Galrão, a participação no concurso foi muito importante, pois ajudou na divulgação dos assuntos citados no blog. "Como ativistas dos direitos humanos nos interessamos muito pela temática indígena", afirmou o internauta por e-mail.

Na opinião do júri, no entanto, o campeão foi o argentino Más respeto que soy tu madre. A página que mistura realidade e ficção fala de maneira bem humorada sobre os acontecimentos na vida da família Bertotti.

Por ter sido uma escolha do público, o Tupiniquim não receberá prêmios. Já o jornalista argentino Hernan Casciari, que escreve o diário virtual Más respeto, que soy tu madre, leva um computador iBook G4, da Apple. Os demais blogs selecionados pelo júri recebem um toca-MP3 iPod Shuffle, também da Apple.

Para o público, o humorístico Kibe Louco ficou com o título de "Melhor Weblog Jornalístico em português" - 64% dos votos indicaram preferência por esta página. O blog tem como base fatos do cotidiano brasileiro, que ganham graça sob a ótica do publicitário Antonio Pedro Tabet.

Para o júri, o melhor desta categoria foi o No Mínimo em que colunistas, escritores, jornalistas e cineastas mostram seu lado de blogueiros. Entre os colaboradores estão Pedro Dória, Arthur Dapieve, Tutty Vasques, Villas-Bôas Corrêa e Zuenir Ventura.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005


Poema antigo

O homem que percorro
com as mãos

e a lua que concebo
na altitude
do tédio


o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intata
das janelas brancas
com silêncio

ciclamens-astros
entre
as vozes que calaram
para sempre
o verbo — bússola
com raiz — grito de relevo

O homem que percorro
com as mãos

a estátua que consinto

a lua que concebo.

Maria Teresa Horta
"Afternoon in Naples" - Paul Cezanne

Madredeus e Caetano

Disco traz dueto de Caetano e Teresa Salgueiro

Teresa Salgueiro, a voz do Madredeus em dueto com Caetano Veloso, Zeca Baleiro e José Carreras. Estas são algumas das atrações do disco Obrigada, que a cantora e o conjunto português mais conhecido do mundo está lançando na Europa e que chega no Brasil no início de janeiro.

"É um disco de duetos, de encontros musicais, que foi gravado ao longo de muitos anos e que, no fundo, ilustra o mundo que a nossa música tem encontrado", conta Teresa. São 14 faixas, cantadas em português, espanhol e italiano, gravadas desde 1990.

Porém, a cantora não considera o novo disco uma guinada em sua carreira: "Este disco não tem intenção de fazer concertos. Não temos sequer tempo para fazer concertos. A idéia deste disco e fazer uma edição."

O disco traz ainda músicas com os portugueses Maria João e Mário Laginha, o italiano Ângelo Branduardi, o espanhol da Galícia Carlos Nuñez, o acordeonista japonês Coba e outra acompanhada pelo tocador de guitarra portuguesa Antônio Chainho, que acompanhava a fadista Amália Rodrigues.

Segundo Teresa, a idéia de cantar com Zeca Baleiro e Caetano Veloso foi do músico contemporâneo italiano Aldo Brisi. A música com Baleiro chama-se Ondas.

"Nós estávamos em turnê na Itália e o Aldo Brisi foi ao nosso concerto em Roma e convidou-me a cantar inicialmente o primeiro tema com o Zeca Baleiro, que era um músico que eu não conhecia e que para mim foi uma grande revelação", afirmou Teresa.

"Ele tem uma voz muito bonita e depois fiquei muito contente com o contraste das vozes, porque ele tem uma voz muito quente e grave e eu estou a cantar lá numa região muito aguda, com uma voz muito lisa."

Depois de ver o resultado, Brisi convidou Teresa para uma música com Caetano, Mistérios de Afrodite. No entanto, ela não chegou dividir o mesmo estúdio com os brasileiros.

"Foi um encontro virtual. Nós nunca nos encontramos. Mistérios de Afrodite foi uma canção que eu cantei duas vezes. O Aldo Brisi ia com as fitas de um lado para o outro. Depois que o Caetano pôs a voz eu achei que eu gostaria de cantar outra vez."

Para Teresa, foi um trabalho completamente novo: "É uma linguagem muito diferente daquela que eu costumo cantar. O Aldo é um compositor contemporâneo, é o primeiro disco em que ele compõe canções."

Teresa, que tem 35 anos e está há quase 18 no Madredeus, conta que nunca tinha imaginado que fosse cantar com estes músicos.

Ela também revela com qual cantora brasileira gostaria de fazer um novo dueto: "Em relação aos músicos brasileiros, a cantora que eu mais gosto é a Marisa Monte.

"O grupo Madredeus viaja no começo de dezembro para tocar no Brasil.

"Vamos estar lá apenas cinco dias, com o concerto Um Amor Infinito. Será uma correria. Vamos estar em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo, onde vamos fazer dois espetáculos". O grupo chega a Porto Alegre no dia 4 e parte para Portugal no dia 9.

n.r.: e Rio de Janeiro? Nada, coisa nenhuma, nulla...


Declaração de amor de um causídico - I

Cara amada
A limine a amei
A novo lho reitero.
Abditae causae
Desde que ad locum a vi
Por ab absurdo que pareça
Conspiram
Para que só pense em si
A solis ortu usque ad occasum.
Ad fidem me despeço
Ad extremum me confesso
Ab imo corde
Ab imo pectore
Ad infinitum
Seu.

Tradução: Vamos curtir?

Encandescente
"Olive Trees" - Vincent van Gogh

Para quem quer, mas não consegue

Vacina anti-tabaco pode estar pronta em 2010

Uma vacina anti-tabaco está sendo pesquisada na Suíça. Pesquisadores estudando a vacina CYTOO2-NicQb, que vem sendo desenvolvida pela empresa Cytos Biotechnology AG, divulgaram que os resultados de seu primeiro estudo a longo prazo indicam que dois de cada cinco pacientes deixaram de fumar por um ano após receberem a vacina.

A vacina CYT002-NicQb é a "primeira de sua classe” em desenvolvimento para o tratamento do hábito do uso da nicotina. A vacinação com CYT002-NicQb já foi demonstrada como sendo capaz de induzir anticorpos nicotina-específicos, que se ligam à nicotina no sangue. Como o complexo de nicotina ligado ao anticorpo é muito grande para atravessar a barreira hemato-encefálica (entre o sangue e o cérebro), a captação da nicotina no cérebro, e a excitação subseqüente de neurônios responsivos à nicotina ficam significativamente reduzidos, ou até mesmo impedidos.

No estudo clínico realizado que envolveu 341 adultos tabagistas, tanto do sexo masculino como do feminino, a ação anti-tabaco ocorreu em voluntários que desenvolveram um alto nível de anticorpos, desencadeados pela vacina.

Os testes envolveram a aplicação de 5 injeções da vacina ou de um placebo a intervalos mensais. Os pacientes de ambos os grupos foram submetidos a aconselhamento terapêutico.

Os melhores resultados, obtidos entre as pessoas com alto desenvolvimento de anticorpos, atingiram a 42% de abandono do cigarro. A vacina poderia estar disponível para uso comercial até o ano de 2010. Para ler o comunicado completo acerca dos resultados do estudo clínico, visite o endereço http://www.pharmalive.com (artigo em pdf)

James Ensor: Visionário em P&B

Forte influência do expressionismo alemão,o belga James Ensor
ganha retrospectiva com 130 trabalhos na Faap

Faap recupera obras do mestre do grotesco.

Das 130 gravuras de James Ensor expostas, desde o dia 21 deste mês, no Museu de Arte Brasileira da Faap, é difícil observar um estilo único.

Surrealismo, simbolismo e expressionismo, tais movimentos não dão conta da diversidade deste artista belga, de origem inglesa. Daí o título genérico que recebe a mostra: "Um Visionário em Preto-e-Branco".

Ensor (1860-1949), pintor, gravador, compositor e escritor, costuma ser identificado como uma das fortes influências do expressionismo alemão, especialmente por Emil Nolde, que o visitou em 1911.

Naquela época, a produção do artista já não era tão intensa como nas duas décadas anteriores, justamente o período apresentado na Faap, com curadoria de Xavier Tricot, a partir de uma única coleção, do banco KBC.

Para o também gravador Claudio Mubarac, uma das principais marcas de Ensor é o uso do grotesco. "Há uma escola na tradição da gravura que sempre se utilizou de imagens satíricas. O Ensor seguiu essa escola em seus trabalhos", diz Mubarac.

A temática do grotesco funciona como eixo central da mostra, alocada nas paredes que ficam no centro do espaço oval da exposição. E é nessa série que muitas imagens podem ser vistas como uma influência no expressionismo, que buscava justamente retratar a sociedade por meio de figuras com distorções formais, que refletiam estados emocionais, em geral desesperados, como a icônica obra "O Grito", do norueguês Edvard Munch.

Dividida em quatro segmentos, a mostra começa com auto-retratos e retratos, segue com paisagens, passa por uma série de esqueletos para terminar no grotesco. Entre as paisagens, sem dúvida vale destacar as marinhas, exibidas em grande quantidade, todas a partir de um único local, a cidade de Ostende, onde Ensor viveu a maior parte de sua vida -lá ele nasceu e morreu, mas, por ter pais ingleses, se naturalizou belga em 1929.

Ainda na série de paisagens, a visão urbana do artista é outra referência para o expressionismo, como "Entrada de Cristo em Bruxelas" (1898), com um grande amontoado de pessoas, que lembram as pinturas posteriores do alemão George Grosz. Entretanto a mostra ganha intensidade de fato com a série dos esqueletos, uma natureza-morta macabra, mas típica da iconografia flamenga, que buscava assim representar o caráter transitório da vida.

Já entre as imagens grotescas, um dos destaques é uma apropriação do artista da obra "Le Pissoir" (o mijador), realizada pelo francês Jacques Callot (1592-1635), depois também trabalhada por Rembrandt (1606-1669) e, finalmente, refeita por Ensor.

Sua obra é um homem de costas com as pernas abertas que está de frente para um muro cheio de pixações, onde se lê: "Ensor est un fou" (Ensor é um louco). Para Mubarac, a obra é representativa do estilo do artista: "Ensor faz um grande diálogo com vários artistas que o precederam. Ele sempre cita os colegas dele, pois tinha um amplo conhecimento da estampa histórica".

A trilha que se ouve ao caminhar pela exposição é de composições do próprio Ensor, que, segundo Maria Izabel Branco Ribeiro, diretora do Museu de Arte Brasileira, escolheu trabalhar com a gravura, pois "não confiava que as tintas de suas pinturas fossem manter suas tonalidades e seriam restauradas por outras mãos. Já a gravura era um meio persistente, que manteria na íntegra as suas intenções". Elas chegam pela primeira vez a São Paulo cem anos depois de serem realizadas.

James Ensor, um Visionário em Preto-e-Branco - até 15/1/2006
»Onde: Museu de Arte Brasileira da Faap
R. Alagoas, 903, Pacaembu, SP

»Quando: de terça a sexta, das 10h00 às 20h00;
sáb. e dom., das 13h00 às 17h00.
»Informações tel.(0xx11) 3662 7198
»Quanto: entrada franca


Obra de arte é roubada

Obra de Cândido Portinari é roubada de galeria em São Paulo

Preparando enterro na rede, 1958

Uma obra do pintor Cândido Portinari (1903-1962) foi roubada de uma galeria de arte de São Paulo na manhã desta quinta-feira.

O quadro, intitulado "Preparando Enterro na Rede", de 1958, estava sendo guardado na galeria Thomas Cohn, no Jardim Europa, quando foi levado por homens armados que renderam os funcionários.

"Os assaltantes chegaram por volta de 11h20. Um deles colocou uma pasta sobre a mesa e mostrou um revólver na cintura, falando que era um assalto", explicou Thomas Cohn, dono da galeria que leva seu nome.

Três assaltantes entraram no local e Cohn afirmou que "possivelmente havia outros dois do lado de fora". Uma caminhonete teria sido usada para a execução do roubo. Os criminosos ficaram aproximadamente meia hora na galeria, tempo suficiente para tirar a obra da moldura.

A tela, que não fazia parte do acervo do estabelecimento, foi o único a ser levado pelos assaltantes. Cohn informou que estava apenas guardando a pintura para o proprietário.

A obra de Portinari não estava exposta, o que reforça a idéia de que os assaltantes sabiam de seu paradeiro e teriam ido ao local com a intenção de roubá-la.

Policiais já visitaram o local, mas o dono da galeria ainda não havia feito boletim de ocorrência até a tarde de quinta-feira.

Ele não soube informar o valor do objeto roubado, que não tinha seguro. Mas para se ter idéia do valor, no começo deste mês, a casa Christie's de Nova York leilou o quadro "Tocador de Trompeta" (1958), também de Portinari, por US$ 721,6 mil (cerca de R$ 1,6 milhão).

n.r.: "Preparando enterro na rede", 1958. Pintura à óleo e madeira. 150x220 cm. Assinada e datada no canto superior esquerdo, "PORTINARI 58". Coleção particular.Projeto Portinari

Paciência esgotada

Site permite fazer queixa contra call centers

Entra no ar nesta quinta-feira (24/11) o site www.probare.org, onde os internautas poderão registrar reclamações a respeito de serviços de call center, contact center, help desk, SAC e telemarketing.

O canal de reclamações faz parte do Programa Brasileiro de Auto-Regulamentação do Setor de Relacionamento com Clientes e Consumidores (Probare), que também está sendo oficialmente lançado nesta terça.

Participam do projeto a Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (ABRAREC), a Associação Brasileira de Telemarketing (ABT) e a Associação Brasileira de Marketing Direto (ABEMD), além de 80 empresas de call center.

Estas organizações se uniram para elaborar a primeira Norma de Auto-Regulamentação do Setor, que criará parâmetros para os processos de gestão dos call centers, diminuindo as experiências negativas dos consumidores com as centrais de atendimento.

Entre os aspectos analisados pela norma estará inclusive a infra-estrutura tecnológica dos call centers.

Para registrar reclamações a respeito dos serviços de atendimento, basta acessar o site do projeto e clicar no item Fale com a Ouvidoria.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Jorge Amado ganha versão em braile

Os romances "Terras do Sem Fim" e "Mar Morto", de Jorge Amado, e "A Casa do Rio Vermelho", de Zélia Gattai, foram transcritos para o braile. Os livros serão lançados nesta sexta-feira (25) na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, às 9h.

Os romances serão distribuídos para 120 instituições de cegos e 180 bibliotecas públicas, existentes nas principais cidades do país, que possuem núcleo em braile.

O projeto é da Fundação de Apoio ao Instituto Benjamin Constant (Faibc) e foi realizado com apoio da Eletrobrás em comemoração aos 151 anos do Instituto Benjamin Constant.

As instituições que receberão as obras foram indicadas pelo Faibc e já foram notificadas do recebimento. Alguma outra entidade que tiver o interesse em adquirir os livros, porém, pode procurar a Fundação pelos endereços faibc@brfree.com.br ou faibc@ig.com.br.

No Brasil, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 148 mil pessoas enquadram-se no conceito funcional e legal de cegueira. Na escola pública regular, segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), estão matriculados aproximadamente 19 mil portadores de deficiência visual, deste total oito mil são cegos.

A obra de Jorge Amado


Prelúdios - Intensos para os desmemoriados do amor

I.
Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)

Hilda Hilst
"Nude Woman Reclining" - Vincent van Gogh


As amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Sophia de Mello Breyner Andresen
"Chemin Dans Les Bles a Pourville" - Claude Monet

É Natal, ding ding dong

Retrosaria dos Sonhos
Christmas Ornaments
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Medium pillow with lavander
Originally uploaded by Ana Malha



Medium lavander pillow for boy
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